Candidato confia em Collor e Jefferson como cabos eleitorais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de setembro de 2008
Karla Losse Mendes e Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
FOLHA: Como a sua administração irá promover a integração do transporte público na região metropolitana?
FÁBIO CAMARGO: Estamos com uma idéia inovadora. Os políticos que estão prometendo o metrô subterrâneo estão mentido para a população. Curitiba não tem como ter metrô subterrâneo. Ainda estudei pouco sobre isso, vou me aprofundar mais. Mas Curitiba tem muitos rios por debaixo. Sairia muito caro e inviabilizaria totalmente as obras, principalmente porque quando você cava não sabe o que vai achar lá embaixo.
Estou propondo o metrô de superfície que tem uma estrutura na qual ele é coordenado por GPS. Vamos usar as canaletas do expresso. Curitiba já tem um desenho, já tem uma integração através das nossas canaletas. No momento em que o metrô passa, automaticamente, por GPS, os sinais fecham. É um projeto objetivo. Não estou inventando a roda, não. O Cássio (Taniguchi), no Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), já tinha esse projeto.
Essa obra tem condições de ficar pronta em três anos e vai ligar a região norte à região sul. Tem financiamento na Alemanha. Três vezes mais barato que o do metrô, que está orçado em R$ 1,8 bilhão e vai ser mais caro, impossível de colocar. O nosso projeto tem custo de implantação de R$ 600 milhões. Vamos trocar parte dos ônibus por esse metrô. E com isso vamos ter espaço para vias exclusivas para motoboy, facilitando o trânsito como um todo em Curitiba.
Vou fazer uma licitação das praças para as empresas que quiserem arriscar cavar. Como disse, Curitiba tem muitos rios embaixo. Mas para quem quiser arriscar vamos abrir licitação para estacionamentos embaixo das principais praças da cidade. Por que isso? Temos que acabar com os estacionamentos que existem nas ruas para fluir melhor o trânsito. Só que a prefeitura de Curitiba cometeu um erro. Na Rua Visconde de Guarapuava acabaram com os estacionamentos, mas eles não procuraram outra área de estacionamento na mesma região. E o que que aconteceu? Faliu os comerciantes.
FOLHA: E em relação a região metropolitana?
CAMARGO: Na realidade o eixo metropolitano já está desenhado justamente para promover a facilidade da integração de Curitiba aos municípios principalmente da região Norte, Sul, Norte a região metropolitana. Então acho que Curitiba regrediu muito na integração da região metropolitana. Porque é o seguinte: a integração com a região metropolitana não pode ser mudada porque existem mecanismos para serem trabalhados dentro da entrada e da saída dos ônibus. Que é o sistema de elevação, que são os tubos, que são os ônibus que são preparados nesse sistema.
Tanto é que quanto o projeto de lei estava na Câmara fiquei um pouco preocupado porque de repente se alguma empresa de fora que colocasse um preço mais barato e que viesse a ganhar esse projeto, íamos ter grande dificuldade de adaptação. Porque se não forem claras as normas iam causar um caos. O sistema é preparado, é integrado dentro de uma forma. E a partir do momento que venha uma outra empresa aplicando outro formato, as mudanças vão ser radicais demais. E vá saber quanto tempo vamos sofrer até o sistema voltar a funcionar de forma igual.
FOLHA: Quais seriam as obras de estrutura viária que terão prioridade de investimento no seu governo?
CAMARGO: Sou um político de bairro. Mas vou falar dos bairros centrais. Por exemplo, o bairro do Batel. Tem que desapropriar uma parte do Springfield. Tem que ter coragem para desapropriar parte do prédio Springfield. Isso foi uma área cedida na década de 1970 quando o Jaime Lerner foi prefeito. Desapropriando parte do Springfield ali na Dom Pedro vai desafogar a Ângelo Sampaio, a Silva Jardim, a Sete de Setembro, a Visconde de Guarapuava, fazendo um binário com a Avenida Batel. Faremos pequenas obras no sentido de tirar os carros das ruas e facilitar o fluxo de veículos. E, sem sombra de dúvida, temos que acabar o projeto original da Linha Verde.
FOLHA: Como será a emissão do alvará em 15 dias?
CAMARGO: Existe uma união dos órgãos do município e do Estado que emitem o alvará. São sete órgãos que se reúnem às vezes e dão batidas nas casas para ver se tem alvará, para cassar alvará, para atender denúncias. Pretendo reunir esses órgãos semanalmente para expedir o alvará. Existe a união para fiscalizar, por que que não pode ter essa união para facilitar?
FOLHA: O seu principal cabo eleitoral é o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do mensalão. Por que o senhor acha que ele vai atrair votos?
CAMARGO: Já atraiu. Só com a vinda dele aqui já subi nas pesquisas. Andei com ele e as pessoas abraçam ele. E escutei várias pessoas dizendo: você é meu ídolo. Ele teve a coragem de denunciar o maior esquema de corrupção que o Brasil já viu. Entrou como réu porque o procurador entendeu dessa forma. Na verdade não tenho dúvida que quando julgarem o mérito do processo ele não vai mais ser o réu. Vai ser o acusador.
O certo era ele ter sido convidado para ser o acusador. O Brasil perdeu muito com ele como réu. Porque ele tem muito mais a falar. Tem pessoas que gostam e pessoas que não gostam dele. Mas a maioria gostou bastante. Fiquei impressionado. Inclusive fiz carreata com ele no Sítio Cercado e não teve uma vaia, um xingo (sic). Só positivo, parabéns.
FOLHA: E o Collor (senador Fernando Collor de Mello, ex-presidente do Brasil)?
CAMARGO: Veja bem, ele já foi absolvido pelos tribunais e pelo povo. O Collor é um grande cabo eleitoral. Ainda estamos analisando se vamos trazer ele no primeiro turno ou no segundo turno.
FOLHA: O senhor é conhecido na Assembléia por registrar sua presença nas seções e deixar a Casa para ir atuar nos bairros. Como senhor avalia a importância desse seu trabalho em relação ao cargo de deputado?
CAMARGO: Fui eleito para ser deputado estadual, não para estar na Assembléia. Meu desempenho nos bairros é importante para apresentar bons projetos. Preciso saber o que a população quer. Não é tomando cafezinho no ar condicionado e batendo papo na Assembléia que vou fazer um bom projeto. Fui o vereador que mais apresentou projetos emendas no orçamento da cidade de Curitiba. Fui um vereador de bairro e hoje sou um deputado de bairro. E vou ser o prefeito dos bairros. Assumo essa postura. Tenho coragem de assumir.
FOLHA: Mas as seções da Assembléia acontecem três vezes por semana e duram 2 horas e meia. Os outros horários não são suficientes para esse trabalho?
CAMARGO: Depende. Hoje, por exemplo, está chovendo. Pode ser que alguma comunidade precise de mim. Vou atender a comunidade. É muito mais gratificante para mim. Então deixo isso aqui bem claro. Talvez por isso eu não tenha apoio do governo federal, estadual e municipal e esteja em terceiro nas pesquisas. Já passei de uma máquina. Vocês sabem como é difícil não ter dinheiro para fazer campanha. As pessoas não me querem lá dentro da Assembléia, me querem na comunidade.
FOLHA: Mas o senhor considera importante registrar a presença.
CAMARGO: Não, não considero. Porque eu vou. Tenho que ir para ver se tem projeto importante. Se tem projeto importante, fico para a votação. Não tem projeto importante, saio da votação. É uma coisa clara. E às vezes tem projeto importante mas noto - porque a gente sabe - que a votação já está decidida. Então não vou ficar lá perdendo tempo. Se já está definido, se já tem uma maioria que já vai votar, se já conheço o projeto, discordando ou concordando, vou buscar atender de outras formas.
FOLHA: Qual é a pertinência do seu trabalho nos bairros para a Assembléia? O que o senhor faz efetivamente nos bairros?
CAMARGO: Nos bairros aprendo a dificuldade e as prioridades. Fui prefeito interino de Curitiba por sete dias. E tinha algumas agendas oficiais como receber diplomata. Coloquei tudo para o secretário de governo fazer. Tirei a gravata e a pompa de prefeito e fui visitar as Unidades de Saúde para aprender. É por isso que sei que o cidadão fica oito horas numa fila. Por exemplo, minha idéia de criar uma creche noturna nos bairros industriais como o CIC surgiu porque lá conheci as mães que queriam trabalhar de noite e que não tinham onde deixar as crianças.
Porque como deputado uso a minha representatividade na Assembléia para pressionar alguns órgãos para atender mais rápido o cidadão. Digo o seguinte: sou um deputado-vereador dos bairros. E vou ser um prefeito-vereador dos bairros. E não acho demérito nenhum nisso.
Fábio Camargo
Principais Propostas
- Implantação do metrô de superfício no eixo Norte-Sul.
- Emissão de alvará em 15 dias.
- Criação de estacionamentos subterrâneos nas praças do Centro.
- Atendimentos nas creches no período noturno.


