Rosely Hessel sempre foi uma apaixonada por palavras cruzadas. Costumava resolvê-las todos os dias, sempre que arranjava um tempinho. Há seis meses, porém, ela encontrou um outro passatempo que a fez esquecer as cruzadinhas: o Sudoku. Ela leva a diversão a sério. Tanto que tirou o segundo lugar em uma das baterias de um campeonato de Sudoku promovido em uma livraria de São Paulo.
Apesar do nome em japonês (que significa algo como ''os dígitos devem permanecer únicos''), as origens do jogo remontam aos EUA e à Europa. Sua principal inspiração são os chamados ''quadrados latinos'', desenvolvidos no século 18 pelo matemático suíço Leonhard Euler. A primeira publicação do jogo aconteceu nos Estado Unidos nos anos 70, mas o Sudoku só virou febre mundial há alguns anos.
No Brasil, o jogo começou a chegar no final do ano passado, com a publicação em jornais e revistas especializadas. ''Minha mulher sugeriu que eu jogasse para aumentar minha concentração'', revela o analista de sistemas Marcelo Hessel, marido de Rosely e viciado confesso no jogo dos números. ''Costumo brincar até no banheiro.''
Para jogar, não é preciso ter uma grande bagagem de conhecimentos gerais ou matemáticos. Na verdade, basta usar a lógica. ''Você não precisa saber nada. E ainda dá para jogar em qualquer lugar. Às vezes, até durante as aulas eu resolvo os problemas para me distrair'', conta a estudante Olívia Carneiro, de 18 anos. Ela é boa no jogo: tirou o primeiro lugar em uma das baterias do campeonato paulista.
A Coquetel, da Ediouro, especializada em cruzadas, lançou os primeiros títulos de Sudoku em outubro de 2005. Hoje, publica 16 títulos mensais com vários níveis de dificuldade e uma tiragem de cerca de 200 mil exemplares. ''Lançamos o jogo no Brasil depois de constatarmos a febre que o jogo se tornara na Europa'', conta Hegel Braga, diretor da revista. E o jogo está ficando cada vez mais difícil: já existe Sudoku com 12, 16 e até 18 grids. Daqui a pouco teremos palavras cruzadas... com números.

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