Campeões da amizade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
A paixão de oito amigos por futebol, cerveja e apostas (não necessariamente nessa ordem) e a dificuldade em marcar encontros entre eles, com agendas muitas vezes incompatíveis, levou-os a fundar uma espécie de clube seleto - com direito até a hino e uniforme. Nesse clube, todos são campeões, apesar de nunca terem sido. São os ''Campeões da Loteca'', que apesar do nome, nunca acertaram os 14 pontos da Loteca. Esse detalhe não diminui o entusiasmo desse time, que há seis anos compete entre si para ver quem acerta mais resultados dos jogos de futebol prospectados semanalmente pela Caixa Econômica Federal (Caixa).
Ao final de cada mês, eles verificam o desempenho de cada um. Quem fez mais pontos nos sorteios da Loteca é o ''campeão'' da rodada e irá participar de um jantar mensal com os amigos de graça. Ao perdedor cabe o título de ''marreco'', e a responsabilidade de arcar com a maior parte da despesa da confraternização. Em média, cada participante gasta R$ 15 por mês com a atividade.
O campeão não desembolsa nada, o segundo colocado paga R$ 5, o terceiro, R$ 10, e assim por diante, até o marreco, que paga R$ 35. Na maioria das vezes, o bolão mensal, que soma R$ 140, fica acumulado devido à incompatibilidade de horários. Nesses casos a confraternização é adiada, pois uma das primeiras regras do clube é que todos os campeões da Loteca devem estar presentes nesses momentos.
Brincadeira
começou em 2002
A brincadeira começou em 2002, com apenas dois participantes. O jornalista esportivo Napoleão de Almeida e Silva, de 28 anos, e o bancário José Antônio, de 30, competiam para ver quem entendia mais de futebol. ''O prêmio era uma esfirra e uma Coca-Cola'', lembra Antônio. No ano seguinte, uniu-se a eles o jogador de futebol Guilherme de Almeida, de 27 anos, que, mesmo morando na Itália, onde jogou um ano no circuito profissional de futebol de salão, não deixou de mandar seus palpites.
Nos anos que se seguiram, outros campeões juntaram-se ao clube. Hoje a competição está mais complexa, foram criados sofisticados critérios de desempate e, a cada três meses, é eleito quem será a ''banca'', encarregada de centralizar as apostas, e o ''presidente'', que organiza os eventos sociais. Outros membros do grupo também se empenham na organização.
Com o dinheiro de dois meses de apostas, o empresário Rodrigo Papov mandou confeccionar oito camisas pólo cor laranja - da mesma tonalidade do bilhete da loteca - com um delicado bordado branco com o nome do grupo. O administrador de empresas Henrique Langer, de 29 anos, alimenta mensalmente planilhas eletrônicas com os resultados da competição, calculando os porcentuais de acerto de cada membro, elaborando o ranking anual e controlando as finanças. O grupo também tem um e-mail oficial e comunidade no Orkut.
Na hora de responder quem mais entende de futebol, todos discordam. Só concordam quando é para apontar o maior marreco da competição. Apesar de cada um sonhar em acertar os 14 pontos e levar o prêmio da Loteca, o maior objetivo dessa turma é a confraternização. ''É um hobby para a gente se reunir, falar de futebol e tomar cerveja'', afirma Langer. Até hoje, quem chegou mais perto do resultado campeão foi o consultor em informática Ricardo Daniachi, de 29 anos, que marcou 13 pontos. ''Mas, como muita gente acertou, só ganhei sete reais'', lamenta.
Serviço
- Quem quiser entrar em contato com esse grupo de apostadores pode mandar uma mensagem para o seguinte endereço: [email protected]


