Campeãs do Ideb apostam no trabalho em equipe e comprometimento

Trabalho em equipe, avaliações mais criteriosas, envolvimento da família e da comunidade e comprometimento profissional são a fórmula adotada pelas escolas públicas campeãs no Ideb e no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em Londrina.
A Escola Municipal Neman Sahyun, localizada no conjunto Ruy Virmond Carnascialli (Zona Norte), é o colégio municipal mais bem classificado no Ideb 2015 nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Com a admirável nota 8,2, a instituição supera a média nacional, mas a realidade nem sempre foi positiva. Dez anos antes, quando o Ideb começou a ser medido, a escola apresentava modestos 4,7 pontos.
A diretora Regiane de Souza Gomes lembra que, há dez anos, a Neman Sahyun era uma escola desorganizada pedagogicamente. "Cada professor seguia um planejamento diferente e não tinha continuidade. Incentivamos que todos seguissem a mesma linha pedagógica e passamos a motivá-los, pois muitos eram desacreditados da escola. Foi um grande desafio pedagógico, mas todos se esforçaram para que a escola melhorasse", comemora.
Projetos de jogos e leitura foram adotados para envolver as crianças e ajudar na aprendizagem. "Hoje, todos nossos alunos saem do quinto ano lendo, escrevendo e fazendo as quatro operações. Estão plenamente preparados para continuar aprendendo", garante, destacando que mesmo alunos com laudos médicos em processo de inclusão são desafiados. "Dentro das limitações de cada um, todos se desenvolvem", diz.
Lógica parecida foi adotada no Colégio Estadual Professora Dea Alvarenga, localizada no jardim São Francisco de Assis, no extremo oeste de Londrina, já na divisa com Cambé. A diretora Maria Ivone de Morais Borges, que iniciou como professora na escola há 23 anos e atua há 16 na direção, explica que o avanço no índice é resultado de um processo coletivo de trabalho. "A equipe trabalha junto
em busca de melhorias e resolução de falhas", diz.
Na escola, os alunos são incentivados a participaram ativamente do processo de aprendizagem. "Trabalhamos para engajar a família, pois a aprendizagem também acontece em casa", avalia, lembrando que, no Dea Alvarenga, todos tentam resolver pequenos problemas antes que cresçam, sejam eles de aprendizagem ou disciplina. "Fazemos pré-conselhos no meio do bimestre para avaliar com estão os trabalhos e os pontos positivos e negativos, para não deixar os problemas se avolumarem", destaca.

Planos de aula, planejamento e a troca de experiência entre os professores são cobrados e incentivados. "Fazemos hora-atividade em equipe", exemplifica ela, lembrando que, acima de tudo, a equipe da escola acredita na educação pública. "Superamos a meta, mas sabemos que cada dia é único. Nosso foco principal não é superar índices, mas o bom resultado expresso em crescimento na vida do aluno. Com afetividade, compromisso e participação de todos, é possível vencer desafios e avançar", pondera.
Há sete anos, o Colégio Estadual Professor Newton Guimarães é a escola estadual de Londrina com maior pontuação no Enem. "Temos todas as mazelas das escolas públicas, mas o que faz diferença é o envolvimento da comunidade", elogia o diretor auxiliar Marcelo Birello Marchi. "Nossa escola está pintada, com a manutenção em dia, graças a promoções que realizamos com apoio da vizinhança", diz, referindo-se a bingos e festas. "A cantina é administrada pela APMS e isso também ajuda muito", destaca.
O diretor afirma que o corpo docente e sólido e comprometido. "Muitos professores moram na comunidade e se esforçam demais para a escola avançar. Todos andam juntos para cumprir o currículo com eficiência", explica, destacando que a realização de simulados trimestrais, com questões de todas as disciplinas, ajuda a equipe a identificar pontos positivos e os que precisam ser melhorados.
Criatividade para envolver os alunos no processo de aprendizagem também é fundamental. Entre os projetos realizados, ele destaca os "Tring", que são oficinas temáticas interdisciplinares realizadas anualmente por todos os professores. "Neste ano, por exemplo, o tema será 'A cidade no contexto contemporâneo'. Todos os professores vão oferecer oficinas sobre o tema e os alunos poderão se inscrevem nas que consideram mais atrativas", diz.
Apesar das normas e regras, o diretor garante que os alunos gostam muito da escola. "Eles reclamam, mas compreendem que é para o melhor funcionamento. Os pais também são participativos, o que faz toda a diferença", ensina.
Marchi exemplifica que uma turma estava com problemas e a solução encontrada foi fazer um acordo com os pais sobre a hora de dormir, acordar e fazer as tarefas, além de evitar uso de celular antes de ir para a cama. "O combinado foi cumprido e a maioria melhorou. Os pais acreditam nos profissionais da escola e isso faz toda a diferença." (C.A.)





