Vencedor das eleições para prefeito em quatro dos 15 maiores municípios paranaenses, o Partido Progressista (PP) – até hoje sem um mandato majoritário em nível estadual no Paraná – mostrou que não deve ser um mero coadjuvante no cenário de 2010. A legenda entra no ‘‘aquecimento’’ para o pleito estadual sob o assédio de várias forças políticas e com sérias pretensões de eleger um senador.
  Na segunda maior cidade do Paraná, o PP elegeu Antonio Belinati com 138.926 votos (51,73% do total). A comemoração ganhou um balde de água fria com a cassação do registro de candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última terça-feira, situação que ainda pode ser revertida na Justiça. O fato é que o deputado estadual provou que mantém eleitorado fiel e que seu apoio, ainda que longe do Executivo, pode ser valioso.
  Em Maringá – terceiro município do Estado em população – o desempenho dos progressistas garantiu vitória em primeiro turno: 104.820 votos (57,04%) carimbaram a reeleição de Silvio Barros. A sigla conquistou também o Executivo em mais três importantes cidades-pólo: Toledo (José Carlos Schiavinato), Guarapuava
(Luiz Fernando Ribas Carli) e Cornélio Procópio (Amin Jose Hannouche).
  ‘‘Fomos o terceiro partido do Estado em quantidade de votos e ficamos à frente do PDT do senador Osmar Dias e do PT de Lula em número de eleitos. O PP ficou numa posição privilegiada para 2010’’, afirma o presidente estadual do partido, deputado federal Ricardo Barros.
  Privilégio que pode ser explorado de inúmeras formas, já que o PP está aberto a alianças com qualquer partido – postura que Barros não tenta esconder. ‘‘É um partido que não restringe e não prefere ninguém. Para nós, o que importa é trabalho e resultado. Vamos para 2010 com possibilidades de múltiplas alianças’’, avisa.
  A ‘‘abertura’’ é tamanha que o parlamentar não descarta sequer a possibilidade de um apoio ao governador Roberto Requião (PMDB) na disputa por uma cadeira no Senado, mesmo com dois fortes poréns: o PP é oposição ao governo na Assembléia Legislativa e Barros é pré-candidato declarado às vagas que serão deixadas por Osmar Dias e Flávio Arns (PT) daqui dois anos.
  Mas o presidente do PP usa a lógica do ‘‘tudo-pode-acontecer’’ e sabe que o assédio sobre o partido será grande. ‘‘Pessoas que queiram disputar as eleições com chances reais vão procurar se acomodar em siglas mais evidentes. Nós temos a vantagem de ter trânsito em todas as correntes partidárias, sermos respeitados por todos e vice-versa.’’

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