Mas não foram só estas as lutas da Folha. A construção da Rodovia do Café, entre o Norte Novo e a Capital, foi outra ‘‘briga das boas’’ encampada pelo jornal. Milanez lembra que a região não tinha um metro de asfalto. O jornal entrou em ação, ‘‘gritando’’ em nome da população do Norte. A duplicação da rodovia Londrina-Maringá foi outra causa difícil. Governos estaduais sucediam-se no Palácio Iguaçu, sem que o pleito fosse atendido. Estava lá a Folha de novo, chegando às mesas das autoridades estaduais todas as manhãs com a reivindicação popular estampada na primeira página. Em muitas localidades do Estado, a Folha chegou antes mesmo que o asfalto. Os ligeiros fuscas alaranjados cortavam as estradas de terra para que o jornal estivesse, logo cedo, nos pontos de venda e nas casas dos assinantes. Arquivo FolhaDuplicação da BR-376: apoio da Folha
Antes da ligação em mão-dupla entre Londrina e Maringá, a viagem era cansativa, demorada e arriscada. Era preciso atravessar nove cidades em trecho de aproximadamente 100 quilômetros, levando perigo de atropelamento para a população desses pequenos municípios, que tentavam remediar o problema com os paliativos de sinaleiros e quebra-molas. A duplicação mudou essa história. Além da segurança para motoristas e moradores das localidades desse trajeto, a BR-369 duplicada nesse trecho facilitou o escoamento da safra. Não por acaso, as cooperativas da região há tempos pediam a benfeitoria para o norte do Estado. Conquista da Folha. Conquista do Norte. Conquista do Estado.
Foi sempre assim. Os exemplos se sucedem. Uma ‘‘viagem’’ pelas páginas do jornal, nessas cinco décadas, mostra que a Folha esteve viva, tanto ao lado dos desbravadores que, engolindo pó, amassando barro, construíram esse pedaço do Brasil, como depois, consolidando o desenvolvimento de uma das regiões mais prósperas do País. (R.M.)

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