Caminhos para o parque
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
O técnico de informática Manoel Barros faz exercícios físicos diariamente. Ele gosta de frequentar o Parque Barigui para aproveitar o amplo espaço disponível para caminhada e alongamento. Mas nem todos os dias consegue se deslocar de carro até a região. Às vezes vai se exercitar no Parque Bacacheri, distante um quilômetro de onde mora. Nestas ocasiões ele vai a pé e caminha pela canaleta do ônibus até chegar ao destino. No Barigui o técnico não tem problemas com relação à segurança. Já no Bacacheri é necessário ficar atento, principalmente à noite. Com a recente instalação de um módulo policial no local, Barros acredita que a violência diminua. Um dos pontos desfavoráveis de caminhar no bairro onde vive é a grande quantidade de subidas nas ruas que cercam o parque.
Durante sete dias por semana, o comerciante Jamel Assad pratica caminhadas. De segunda a sexta também vai ao Parque Barigui. Já nos finais de semana prefere utilizar a ciclovia e as ruas perto de casa, no Portão. Lá existe uma pista compartilhada para pedestres e ciclistas. Ele prefere o sábado e o domingo para ficar perto de onde mora pois o movimento de carros é menor. No Barigui ele enfrenta dois problemas. Um deles é utilizar as pistas onde bicicletas também podem circular. ''Tem gente mal educada que passa muito perto dos pedestres''. O outro ponto desfavorável é a quantidade de cachorros abandonados que circulam pelo parque. Além da sujeira que fazem eles também espantam os animais nativos da região.
São informações como essas que um grupo de pesquisa integrado por estudantes de graduação, especialização e mestrado na área da Educação Física pretendem reunir em um projeto que será finalizado em junho. O objetivo é apresentar o resultado para autoridades municipais para identificar os hábitos e qualidade de vida dos curitibanos, além de incentivar a criação de políticas públicas e melhorias para a comunidade.
Foram selecionados 1,5 mil moradores de oito regiões próximas dos Parques Barigui, Tanguá, Diadema e Caiuá, do Jardim Ambiental e das Praças Afonso Botelho, Oswaldo Cruz e Wenceslau Braz. Estas oito regiões foram escolhidas para representar os 30 bosques, 19 parques e 432 praças que existem em Curitiba.
Foram contratados 25 pesquisadores para aplicar questionários que irão identificar os hábitos saudáveis do morador da Capital. Também irão abordar a qualidade dos espaços públicos para a realização de exercícios e se a cidade possui boa estrutura para incentivar a população a realizar atividades físicas.
A pesquisa, chamada ''Caminhos para o Parque'', é coordenada pelo professor do curso de Educação Física da PUCPR e coordenador do Grupo de Pesquisa e Qualidade de Vida da instituição, Rodrigo Reis. O projeto é realizado em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Os espaços forem escolhidos para que os pesquisadores possam retratar regiões ricas e pobres da cidade. Em estudos já realizados o grupo detectou que as mulheres preferem realizar exercícios físicos em parques. Já os homens optam pelas praças. As regiões onde concentram maior número de famílias com baixa renda possuem mais ciclovias. Já os bairros mais ricos possuem melhor qualidade no serviço de transporte público. Além disso, a qualidade dos espaços públicos está diretamente ligada à classe social das pessoas que vivem nas proximidades.
Questionário
O grupo de pesquisadores que irão percorrer as casas nas ruas selecionadas são todas mulheres, com mais de 18 anos e ensino médio completo. Todas elas trabalham de jaleco e crachá com a identificação. Elas também portam uma carta de apresentação explicando sobre o trabalho. Se o entrevistado ainda tiver dúvidas sobre a veracidade da abordagem, poderá entrar em contato com a PUCPR pelo telefone 3271-2503. Até agora poucas pessoas se negaram a responder as perguntas. Na maioria das vezes as recusas são de famílias que moram em bairros de classe alta.


