CAMINHOS DE GUAJUVIRA - Araucária, um roteiro de turismo rural
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de janeiro de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Menos de 10% dos 105 mil habitantes da cidade de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, vivem na área rural do município. Mas aos poucos essa pequena parcela da população está conseguindo mudar a cara sisuda da cidade, que abriga um dos mais importantes complexos industriais e de tecnologia do Paraná. A receita foi a implantação, em março de 2004, de um roteiro de turismo rural.
O caminho é quase um resgate da história da cidade, ao mostrar um pouco do dia-a-dia da comunidade, formada predominantemente por descencentes de imigrantes poloneses. Com isso, a conhecida paisagem de Araucária, de grandes barracões e chaminés das indústrias dá a vez, na memória dos visitantes, a novas lembranças de sua passagem pela cidade, ligadas ao sabor da comida típica, à produção dos pequenos agricultores, à originalidade do artesanato e ao verde que se espalha por 70% do território do município, que integra a zona rural.
Segundo a diretora do Departamento de Turismo de Araucária, Marta Yoshie Takahashi, a idéia de implementar o turismo rural nasceu da necessidade de proporcionar mais uma alternativa de renda aos produtores locais. O projeto foi amadurecido entre 2002 e 2004. Os agricultores receberam cursos de capacitação, visitaram cidades onde o turismo rural já estava implantado e foram feitas várias simulações de visitas, usando funcionários da prefeitura. A partir desse trabalho, foi decidido que o roteiro abrangeria propriedades do Distrito de Guajuvira, uma vez que ali havia maior número de pessoas envolvidas e comprometidas com a questão.
Guajuvira é uma pequena comunidade situada às margens do Rio Iguaçu e da antiga estrada de ferro que ligava a capital paranaense à cidade do Porto Amazonas. O nome Guajuvira refere-se à árvore, cuja madeira era usada para fazer arcos pelos índios que viviam na região, os tingüis, e que deu origem ao nome do bairro.
Só agora estamos colhendo os resultados, diz Marta, ressaltando que os agricultores incluídos no roteiro já estão sentindo os benefícios do projeto. O Sítio de Flores Silvestre Waenga, que vende cerca de dez espécies de flores em vasos, por exemplo, já comprou mais uma estufa (agora são três). O proprietário da Chacára Santa Rita, David Fila, que antes acabava perdendo parte de sua produção de pêssego, porque não tinha caminhão para lever o produto para pontos de venda, hoje comercializa praticamente toda a produção na própria propriedade.
De acordo com o engenheiro agrônomo Álvaro Baptista, da Secretaria Municipal de Agricultura, o principal produto produzido em Araucária é o pêssego. Em média, o município produz 1,3 mil toneladas por ano de pêssego em 120 hectares de área plantada por um total de 130 produtores. Há, ainda, produção de hortaliças, que são comercializadas principalmente para a Central de Abastecimento (Ceasa). O município também se destaca pela piscicultura, com uma produção de 80 toneladas por ano.
A Festa do Pêssego, realizada no primeiro final de semana de dezembro, já é famosa. Este ano foram vendidos na festa 28 toneladas do produto. Araucária também vem realizando a Festa do Peixe Vivo, na Semana Santa, que em 2005 vendeu 21 toneladas de pescados.


