A cobrança de pedágio é hoje a principal barreira entre os caminhoneiros e sua grande paixão: a vida nas estradas. Muitos alegam que não abandonam a profissão por falta de alternativas. As queixas sobre os altos custos e os fretes baixos são comuns. Contudo, a maioria diz que gosta de viver pelas estradas do País. Mesmo com tantas dificuldades.
  Ainda jovem, mas já experiente no ramo, o caminhoneiro José Carlos Tarabaica Junior, 25 anos, de Palmas, diz que não consegue deixar a boléia. ‘‘Nós só estamos nisso porque gostamos. Não consigo ficar sem. Já tentei parar e voltar a trabalhar na cidade, de motorista mesmo. Só que o salário é menor’’, conta.
  E quando o assunto é trabalhar longe de casa, Tarabaica fala com conhecimento de causa. Motorista de uma empresa, acostumou-se às longas viagens, como esta, de três dias, que o leva da Lapa, no Paraná, ao Recife, em Pernambuco. A seguir, deve passar dois meses fazendo fretes nas regiões Norte e Nordeste. Mesmo confiante de que vai continuar no ramo por muito tempo ainda, ‘‘até quando aguentar’’, Tarabaica avalia que, ‘‘por causa do pedágio, o caminhoneiro autônomo está aguentando um ou dois anos, no máximo. Muitas vezes, acaba tendo de vender o caminhão’’.
  Para se manter na estrada, no entanto, os motoristas são obrigados a fazer verdadeiras ginásticas financeiras e a contar com bastante ajuda. Cada centavo economizado é importante. Ainda mais quando o sustento da família sai do lucro obtido com o caminhão.
  Além de pagar as contas da casa, Claudino Rodrigues, 53, de Ijuí (RS), quita as mensalidades da faculdade de medicina da filha com os ganhos dos fretes. A maior queixa dele é a relação custo/benefício, já que ‘‘nem todas as pedagiadas estão em boas condições.’’
  Para Rodrigues, o trecho de Curitiba a Lapa é curto para o valor do pedágio. ‘‘Tem de ter pedágio, só que um pouco mais barato. Eles pegaram a estrada pronta aqui (BR-476), conservam a grama nas beiradas e tapam os buracos. Não tem nem acos-tamento’’, critica. O custo, para usar 20 quilômetros de rodovia concessionada, como foi
o caso de Rodrigues, é de
R$ 36,00.
  A regra para driblar o que consideram cobrança excessiva é usar a criatividade. Poucos metros antes da praça de Arapongas, na BR-369, João Couto Sobrinho, 58, pára no acostamento para recolher um dos eixos de sua Scania 124G-420. Com isso, paga uma tarifa menor.
  ‘‘Cada centavo que a gente economiza é importante’’, ressalta. E ele mostra o porquê. O frete de R$ 2 mil é praticamente consumido todo pelas despesas com combustível, pedágio, manutenção do veículo e alimentação. Para o motorista, sobram apenas R$ 160,00, obtidos após dois dias na estrada, levando um contêiner de Paranaguá para Maringá.
  Outra forma de economizar é contar com o apoio de postos de combustíveis de beira de estrada. Em Santo Antônio da Platina, um estabelecimento oferece um ‘‘brinde’’ para o caminhoneiro que abastecer no local. Cada litro de óleo diesel significa um centavo de bônus para o caminhoneiro. Para encher um tanque, são gastos de 250 a 300 litros. Esta quantia significa praticamente uma refeição no restaurante vizinho.
  ‘‘A gente está ajudando. Quando chega a hora de almoço e do jantar, às vezes a gente dá até a refeição para o caminhoneiro’’, relata o gerente do posto, Adilson Paulo da Silva, 34. ‘‘A gente diminui o lucro para dividir, porque as coisas estão difíceis para todos’’, acrescenta.

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