Caminhoneira de Colombo se destaca em concurso nacional
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Diz o ditado que o fruto não cai longe do pé. Para a caminhoneira Leoni Batistão, de 47 anos, a frase faz todo o sentido. Ela conta que desde pequena gostava de viajar no caminhão do pai, bem pertinho do volante. Essa proximidade acabou se tornando paixão e a paixão profissão.
Hoje, com mais de 20 anos de experiência na boléia, Leoni acumula uma marca invejável, foi classificada três vezes consecutivas para a final do concurso Caminhoneiro do Ano Siga Bem, que reúne competidores de todo Brasil. Este ano, ela foi a única mulher entre os 25 melhores colocados e já pensa no concurso do ano que vem.
Na empresa em que trabalha com o marido e a filha de 22 anos - que também dirige caminhão -, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, ela concedeu a seguinte entrevista à FOLHA DE LONDRINA.
FOLHA DE LONDRINA Desde quando você dirige caminhão?
LEONI BATISTÃO Faz mais de 20 anos que a gente dirige. Eu comecei dirigindo com o meu marido, mas meu pai já era caminhoneiro, meu irmão, a família toda era do caminhão.
FOLHA E com quem você aprendeu a dirigir caminhão?
LEONI Com o meu pai. Desde pequenina a gente não tinha carro, só o caminhão, então a gente saía, ele dirigia e eu ficava do ladinho da porta ali. Já queria ir perto do volante desde pequena.
FOLHA E como profissional, quando começou a dirigir?
LEONI Foi assim, eu viajava junto com o meu marido. Daí com as minhas duas filhas pequenas tive que parar um pouco, mas depois que elas ficaram grandinhas eu comecei a trabalhar com caminhão de novo, já faz uns 15, 20 anos.
FOLHA E você viaja sozinha?
LEONI Não, agora eu não viajo. A gente só faz entrega aqui dentro, só em Curitiba e Região Metropolitana.
FOLHA Já passou por algum apuro por ser mulher nessa profissão?
LEONI Não, sempre foi tranquilo.
FOLHA Já sofreu algum preconceito dos colegas pelo fato de ser mulher?
LEONI Hoje em dia não, já foi bem mais. Hoje isso não acontece.
FOLHA E como é que foi ser a única mulher entre os finalistas de um concurso nacional de caminhoneiros?
LEONI Ah foi muita emoção, não dá nem pra explicar. Porque é muito difícil a classificação, então precisava de sorte também, porque muitos caminhoneiros fizeram e todos eles sabem, né. Então foi muita sorte ter conseguido.
FOLHA Qual parte da competição você considerou mais difícil?
LEONI Acho que foi a prova mesmo, tinha que saber muito de mecânica, um apreendizado muito avançado.
FOLHA Você entende de mecânica? Se o caminhão der problema no meio de uma entrega, sabe consertar?
LEONI É muito pouco, como meu marido cuida dessa parte eu não me preocupo muito. A manutenção eu sei fazer, quando precisa trocar o óleo, trocar os pneus, essas coisas do dia-a-dia eu sei fazer, mas conserto mesmo quem faz é ele, o tempo que eu cuido da casa ele cuida do caminhão.
FOLHA Você sempre pensou em dirigir caminhão?
LEONI Sempre, desde criança. Adoro dirigir.
FOLHA Quando era criança, deixava a boneca de lado pra brincar de caminhão?
LEONI Não, não tinha isso, pra te falar bem a verdadem nem boneca eu não tinha. Boneca mesmo só tive uma. Era mais difícil, não era como as crianças de hoje em dia que têm tudo, né.
FOLHA Eu soube que você tem uma filha moça que já dirige caminhão. Como você vê isso?
LEONI Eles gostam, né. É carro, é corrida, tudo que vêm do esporte, do automobilismo eles gostam.
FOLHA Essa é a terceira vez consecutiva que você é classificada para a final desse concurso. Você se considera uma boa caminhoneira?
LEONI Eu me considero. Procuro dar tudo de mim, gosto de fazer bem. O que a gente gosta a gente faz bem.
FOLHA Já pensou o que faria se ganhasse o primeiro prêmio que é um caminhão?
LEONI Já pensei sim, é o meu sonho, meu e do meu marido. Ia voltar pra estrada, com certeza.
FOLHA Há quanto tempo está longe da estrada?
LEONI Uns 10 anos.
FOLHA Gosta mais da estrada do que das entregas na cidade?
LEONI Muito mais. Gosto de viajar, conhecer lugares, a gente faz muita amizade, conhece caminhoneiros do Brasil inteiro.
FOLHA Eles estão acostumados em ver uma mulher nesse ofício?
LEONI Ah sim, eu tenho muitos amigos, mesmo na gincana do caminhoneiro a gente faz muita amizade. Um torce pelo outro.
FOLHA Você tem muitas amigas caminhoneiras?
LEONI Tenho várias, até estavam tentando entrar na gincana. Mas não é fácil, tem que correr atrás, sempre tem.


