Caminho virtual, conhecimento real
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quarta-feira, 08 de julho de 2015
Reportagem Local 
A modalidade de ensino a distância (EaD) ajustou-se perfeitamente ao espírito irrequieto de Roberto Barbosa Souza, 54, pós-graduando em Licenciamento e Assessoria Ambiental. Fascinado por esta área de estudo, ele aproveita a liberdade e a possibilidade de ajuste do próprio tempo para tirar o máximo proveito do curso.
Souza compõe um universo de mais de 1,1 milhão de pessoas que se matricularam em algum curso a distância no País em 2014, cerca de 181 mil apenas no nível de pós-graduação, segundo dados da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed). O último Censo da Educação Superior do Ministério da Educação mostra que, nos últimos 11 anos, a oferta de cursos EaD cresceu 24 vezes no País.
"Um curso presencial é mais limitado, porque tem disciplinas pontuais, já o EaD abre a possibilidade da pesquisa", defende. Pelo conceito de Souza, a modalidade exige mais disciplina e dedicação do aluno, que precisa impor a si mesmo uma rotina de estudos. Por isso, mesmo contando com encontros presenciais apenas ao final de cada módulo, ele é figura recorrente na universidade.
"Três vezes por semana eu vou à universidade dedicar de uma a três horas para pesquisa, dentro do curso e para uso pessoal no trabalho", diz o profissional em assessoria ambiental. Souza acredita que o EaD vá se sobrepor à modalidade presencial, não apenas pela falta de tempo das pessoas, mas porque ele dá a possibilidade ao aluno "de aprender o que quiser".
Com mais tempo de atuação no sistema de educação e um portfólio de 45 cursos de pós-graduação a distância, a Unopar acredita que já conseguiu desmistificar a modalidade. "Um obstáculo ainda é a pessoa perceber que estudar a distância não é simples, cabe a você estudar o conteúdo; isso desenvolve a autonomia do sujeito", diz a coordenadora de EaD, Melina Klaus.
Além dos cursos teóricos, a instituição tem começado a introduzir o EaD em cursos que exigem prática, como estética e educação física, com um encontro presencial semanal onde são desenvolvidas as atividades. Até mesmo as defesas de monografia já começam a ser feitas por teleconferência, evitando deslocamentos. Para Melina, isso é ganho na qualidade de ensino.
"Caminhamos para um ambiente virtual de aprendizagem interativo, de fácil acesso, que atende às necessidades de pessoas que precisam se qualificar e não têm tempo para estar horas em uma universidade", conclui.
DISCIPLINA
Ao procurar o curso de pós-graduação que melhor atenderia aos seus anseios profissionais, o contador Gerson Sugano, 49, também optou pelo EaD. Além da pouca disponibilidade de tempo, pesou também a praticidade e no custo mais acessível dessa modalidade. Satisfeito com a qualidade, ele não vê a falta de interação física nas aulas como um ponto fraco.
"Não me incomodou porque já trabalho na área e não senti tanta dificuldade. Claro que sempre aparece alguma questão que a gente precisa procurar na internet, mas dá para desenvolver", relata. Prestes a concluir a monografia do curso de Perícia e Auditoria Contábil, Sugano conta que disciplina é fundamental para o êxito no EaD.
"A gente colhe o material disponível, inclusive as referências bibliográficas, e usa o tempo que tem disponível - às vezes horário de almoço ou fins de semana - para estudar", orienta.



