Caminho mostra diferentes curitibas
Andando ao longo do caminho, é possível sentir diferentes ''curitibas''. A Eduardo Sparada começa ''rural'', fica ''industrial'' na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) para, depois, já no centrinho de Campo Comprido, adquirir ares de cidade do interior.
De modo geral, a rua - que por muito tempo foi dominada por chácaras - ainda mantém seu clima bucólico. O caminho de muitas curvas, de áreas verdes e pinheiros, no entanto, agora tem que conviver com sofisticados condomínios residenciais, que escolheram a região justamente pelas suas características de sossego e hoje se multiplicam de forma assustadora ao longo da rua.
''Quando vim morar aqui, a rua era de macadame, não tinha luz. Era muito sossegado, as crianças brincavam na rua. Agora, para atravessar a rua ou sair de carro é um caos. Tem que tomar muito cuidado'', diz a dona de casa Antonia Zilli, que mora na Eduardo Sprada, na altura do Campo Comprido, há 38 anos, desde que casou.
Na altura do bairro Seminário, na Avenida Nossa Senhora da Luz, ainda pode-se ver as construções antigas de, armazéns que serviam de entrepostos para viajantes e colonos, que encontravam ali desde alimentos e ferramentas para a lavoura até equipamentos para as carroças. Mesmo assim, a rua já apresenta uma prévia do que será no bairro Batel. Entre casas, colégios, uma igreja e a ponte sobre o rio Iguaçu despontam estabelecimentos comerciais, em especial lojas de decoração e produtos para casa.
Mas é passando a Mário Tourinho que as características de cidade grande tomam conta do cenário. Dali para frente, as residências são minoria. Casas, onde antes moravam famílias, hoje abrigam estabelecimentos comerciais e muitos, mas muitos mesmo, barzinhos. ''Eu chutava bola na rua, mas meu filho já pegou a época de movimento. Hoje aqui é muito barulhento, principalmente na sexta, sábado e domingo por causa dos bares'', diz o auxiliar administrativo Rui Hilton Botte, 53 anos, que mora na Rua Gonçalves Dias desde que nasceu.
Sobre a mudança na pracinha do Batel, que foi cortada em duas por uma rua, os protestos iniciais deram vez ao elogio. ''O trânsito não melhorou mas a praça ficou muito boa'', diz Liliângela Heidorn, 24 anos, que ajuda a família na banca de revistas existente na praça há 38 anos.
Do Batel em diante o caminho perde o charme para dar vez a uma rua típica de área central da cidade. Os pontos altos ficam por conta do movimento da Praça Rui Barbosa, que abriga dezenas de pontos de ônibus, com destino a vários bairros. Um pouco à frente, há ainda o Terminal Intermunicipal do Guadalupe, onde o movimento de moradores da região metropolitana que vêm diariamente trabalhar em Curitiba confunde-se com o trânsito de outros personagens comuns às cidades grandes. ''Aqui tem de tudo, às vezes é perigoso, pelo vandalismo, vagabundos, prostitutas, vendedores de pedra. Mas se você é tranquilo, dá para trabalhar sem problemas, conta o vendedor ambulante João Peres, que há dez anos tem seu ponto no terminal.
No lado norte da cidade, no Alto da XV e Cristo Rei o caminho volta a misturar pequenos prédios, casas e comércio. Um destaque, aqui, é a Sociedade Morgenau, fundada em 1918, e cujo nome chegou a ser usado no passado para designar o próprio bairro. A Rua Senador Souza Naves, no entanto, em nada lembra os tempos idos da região. Ali, descendentes de imigrantes europeus se estabeleceram para exercer as culturas agrícolas e, durante anos, essa atividade supriu as necessidades da cidade. (M.G.)





