'Caminhas' modernos mostram Brasil sem mazelas em cartas
DOMÍNIO
Caminhas modernos mostram
Brasil sem mazelas em cartas
Mànya Millen
Agência O Globo
Caçador de Escravos, de Debret: indígenas causaram estranheza a Pero Vaz de Caminha, depois foram escravizados pelos colonizadores
Escrita há cinco séculos, ela entrou para a História como uma espécie de certidão de nascimento do Brasil e, perto das comemorações do Descobrimento, tornou-se também o mote de um concurso literário. Tomando como inspiração a carta enviada por Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel, descrevendo o povo e as terras descobertas do outro lado do mar, em 1500, a TAP Air Portugal promoveu seu primeiro prêmio literário, que será entregue amanhã, às 20 horas, no Consulado de Portugal.
Dirigido aos estudantes de cursos de Letras de todo o País, o prêmio Redescobrindo o Brasil aos 500 anos pediu aos participantes (foram quase mil cartas enviadas) que, em pleno ano 2000, se transformassem em Caminhas entusiasmados e descrevessem aos portugueses as maravilhas descobertas aqui. Só as maravilhas, porque as mazelas acumuladas nestes cinco séculos foram banidas das cartas já no edital do concurso.
Foi uma convocação para que o texto correspondesse harmoniosamente à data celebrada, uma data que pedia essa louvação lembra o escritor Josué Montello, que fez parte do júri composto pela também escritora Nélida Pi non e pelo poeta e cônsul de Portugal Luis Filipe Castro Neves.
E, entre descrições apaixonadas de terra, clima, música e povo, o concurso acabou revelando um Caminha que, no ano 2000, usa saias: as três cartas finalistas exibem a caligrafia feminina de Maria Rita Jobim Silveira (do Rio), Suzana de Sá Klôh (de Petrópolis), e Fernanda Bonadio (de São Paulo). A vencedora só será conhecida amanhã, mas todas as três ganharão como prêmio viagens a Portugal, com direito a bônus.
Eu não podia contar as coisas boas e ruins do país, como pensei inicialmente, mas adorei escrever sobre o Brasil, sobre o que eu gosto, como a música conta Maria Rita, estudante da PUC. Suzana, que cursa a Universidade Católica de Petrópolis, também achou interessante a proposta ufanista do prêmio.
Passamos por um momento em que o Brasil está desvalorizado e é legal mostrar as pessoas que amam o País acredita ela, que foi reler a carta de Caminha para redescobrir sua terra.
Durante a cerimônia, o ator Paulo Autran vai ler a carta da primeira colocada. Mas todos os vinte trabalhos selecionados serão conhecidos. Eles foram reunidos num livro comemorativo dos 500 anos e os exemplares serão distribuídos aos passageiros dos vôos da TAP durante todo o mês de abril.





