CIDADE DO VATICANO - Após a morte de João Paulo II, o cardeal camerlengo, o espanhol Eduardo Martinez Somalo, se tornou uma espécie de Papa ''interino'' e está encarregado de liderar a Igreja até a eleição do novo Pontífice, mas com poderes bastantes reduzidos.
Na Constituição apostólica que promulgou em fevereiro de 1996, João Paulo II sentenciou que todos os máximos dirigentes do ''governo da Igreja, da Cúria romana, tinham que renunciar no momento da morte do Papa. Segundo o texto, somente o camerlengo deve permanecer no cargo para administrar os assuntos corriqueiros da Igreja.
''Quando o Papa morre, todos os chefes das congregações da Cúria romana, ou seja, o cardeal secretário de Estado, os cardeais prefeitos, os arcebispos presidentes e os membros destas mesmas congregações, devem renunciar, com exceção do Camerlengo da Santa Igreja romana e do cardeal encarregado das penitências e absolvições'', indica o artigo 14 da Constituição.
''Administrador de bens'', escrevia ontem o jornal Il Sole 24 Ore para descrever o papel que desempenhará Somalo, 78 anos, camerlengo desde 1993. A palavra ''camerlengo'' vem do italiana ''camera'', que significa quarto, e descreve uma função puramente administrativa que ganha importância somente no caso da morte de um papa.
O camerlengo é encarregado de gerenciar o Vaticano e, com a ajuda dos cardeais presentes reunidos em Congregação geral, marca a data dos funerais e a da convocação do conclave. Mas o camerlengo e os cardeais não podem tomar qualquer decisão cujos efeitos excederiam o período entre a morte do Papa e a designação de seu sucessor. O camerlengo também não é habilitado para designar cardeais.
O camerlengo é encarregado de constatar e notificar a morte do Papa. Até Pio XII, morto em 1958, o camerlengo constatava a morte do papa batendo na testa com um martelo de prata. Somalo assumiu simbolicamente a posse das propriedades papais: o palácio apostólico do Vaticano, os Palácios do Latrão, sede do diocese de Roma do qual o Papa é tradicionalmente o bispo, e de Castelgandolfo, a residência de verão dos papas.
O camerlengo convoca as reuniões de cardeais, os ''conclaves''. Ele decide com elas o dia e a hora da exposição do corpo do defunto, da data do enterro, que deve acontecer entre o quarto e o sexto dia depois da morte, e a organização dos nove dias de cerimônias de luto. O camerlengo também escolhe com os cardeais a data do início do conclave, que deve começar entre 15 e 20 dias após a morte do Papa.

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