Agendar horário. Dilatar a pupila e ter o olho examinado. Fazer as lentes de acordo com a necessidade exata de cada olho. Essa rotina por vezes vem sendo suprimida por pessoas que econtram no comércio informal óculos de grau sendo vendidos. A Folha de Londrina investigou e constatou que em nove bancas do Camelódromo de Londrina o produto estava sendo vendido sem qualquer fiscalização. Pechinchando, o artigo é entrado por até R$ 5. Uma consulta particular no oftalmologista dificilmente sai por menos de R$ 100. A ingenuidade que move as pessoas a comprar um bem inadequado pode provocar bem mais do que desconforto, alertam especialistas.
''Uma vez na vida toda pessoa vai precisar usar óculos'', afirma o oftalmologista Nobuaqui Hasegawa. O médico explica que seja para melhorar a visão de perto, longe, desembaçar as formas ou auxiliar uma vista cansada estamos fadados a sustentar aros sobre o nariz. O óculos seria o amigo pelos menos durante o tempo de espera pela cirurgia ou em alternativa as lentes de contato.
Quem comprar um óculos no comécio informal ou até mesmo em óticas sem visitar o consultório de um oftalmologista pode pagar um preço caro para uma alternativa, a primeira vista, barata. '' Uma lente inadequada não chega a aumentar o grau de quem usar o óculos.
O oftalmologista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Gerson Lopes, lembra que em alguns casos problemas de visão estão ligados a outras questões de sa© úde. ''Uma pessoa que tem diabetes pode vir a enxergar mal'', diz. Se ela for ao oftalmologista ele irá questionar, examinar e deverá encaminhar o paciente para o especialista que vai tratar do diabetes e a pessoa vai enxergar melhor.
Hasegawa admite que no Brasil os recursos investidos em saúde são escassos. Dessa forma, os usuários do SUS precisam por vezes aguardar até seis meses uma consulta no oftalmologista. Para o médico existem casos em que a própria população carente inflaciona a fila. ''Por ser fácil marcar a consulta, as pessoas agendam para toda a família mesmo quando não há necessidade. Dessa forma, a fila aumenta'', relata.
''Quem ganha salário mínimo não tem como pagar uma consulta particular ou comprar um óculos que vai custar muito mais do que R$ 260'', diz Hasegawa. Mas entre optar por uma tentativa de resolver os problemas da visão com uma lente que poderá causar transtornos o oftalmologista assegura que vale esperar por seis meses na fila do SUS e ter uma lente correta.
Lopes explica que a visão evolui até os nove anos, aproximadamente. Segundo o médico, a primeira consulta deve acontecer aos três anos para ser feita uma revisão. Ele alerta que alguns problemas podem ser corrigidos se forem descobertos cedo. (Confira no desenho os três problemas mais comuns). Para quem sofre com a pouca visão, óculos, lentes de contato ou cirurgia são os caminhos para a conquista do conforto visual.

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