Impacto visual
Alguns comentários sobre as apresentações pop (no sentido jovial e não ''global'') da Mostra 2009 do Festival de Curitiba. Assistir à peça chilena ''Sin Sangre'' foi uma das experiências mais interessantes do evento. A Cia. Teatro Cinema fez juz a seu nome, fundindo essas duas linguagens em um único espetáculo. Dentro de uma espécie de caixa, do tamanho de uma tela de cinema, o elenco atuava enquanto projeções davam a ambientação. O roteiro era típico de uma película policial sobre guerra de máfias ou ditadura, mas com atuações e maquiagem de teatro. Recursos cinematográficos como tela dividida, closes e planos com inclinações eram feitos com recursos de palco, gerando uma plasticidade incrível. Era como se estivéssemos assistindo a um filme, porém feito ao vivo. Tinha até legenda (afinal, era falado em espanhol).

Será?
Após assistir ''Sin Sangre'', houve quem jurasse que os atores não estavam presentes no palco do Teatro da Reitoria - muitos acharam que eles fossem apenas projeções. Outra parcela do público (eu me incluo nela) defende que o elenco em carne e osso estava lá de fato. Não foi possível desvendar o mistério, mas que tinha até gente fazendo aposta no saguão do teatro, isso tinha. Seja como for, já virou lenda urbana.

Desencontros
Ninguém sabia ao certo em que horário começava a peça ''Memória Afetiva de um Amor Esquecido'' (inspirada no filme ''Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças''). Transferida para o Memorial de Curitiba, a montagem estreou na quinta-feira passada às 22h30 (em vez de 21h, no horário original, gerando grande espera). No dia seguinte, foi anunciada para às 23 horas, mas começou uma hora antes, fazendo parte do público perder viagem - ou talvez não, já que muitos que assistiram tiveram expectativas frustradas, classificando o espetáculo como fraco, longo e arrastado.

Bola fora
O cancelamento do aguardado espetáculo ''Rock'n'roll'' foi a grande decepção do festival deste ano. Agora, quem quiser assistir terá que se deslocar para o Rio de Janeiro, onde a peça é apresentada nos teatros Nelson Rodrigues (estreia nacional no dia 8) e Vila-Lobos (a partir de 1º de maio), seguindo depois para São Paulo. Quanto a uma possível vinda para Curitiba, a dúvida permanece. ''Temos algumas datas disponíveis no segundo semestre, mas ainda não há nada programado'', comentou a produtora Bianca de Filippes.

Com banda local
Desde 2001 não se via no festival uma fusão de peça de teatro com show de rock. Na época, a banda Malditos Ácaros do Microcosmos (hoje extinta) realizou o espetáculo ''Malditos Somos Nós Tentando Ser Nós Mesmos'', que alternava músicas ao vivo com atuações cênicas de uma história bizarra inspiradas em suas letras. No último sábado, a banda Nuvens quebrou o hiato, realizando o show cênico ''Nuvens Em Sombras'' que fundia música, teatro de sombras, artes visuais e circenses. É notável que há uma resistência em unir rock com teatro, mas pode ser que um dia o formato seja mais frequente, afinal a conexão entre diferentes artes só traz ganhos.

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