Little Joy 1
O projeto encabeçado por Fabrizio Moretti (The Strokes), Rodrigo Amarante (Los Hermanos/Orquestra Imperial) e Binki Shapiro abriu na quarta-feira passada o calendário curitibano de shows internacionais - o que pode soar um pouco contraditório, já que dois dos integrantes são brasileiros. Com 40 minutos de atraso, o trio subiu ao palco do John Bull Music Hall acompanhado por mais três músicos de apoio. Com casa lotada, tocaram todo o repertório do álbum de estréia e mais algumas extras para um público eufórico (em sua maior parte, formado por fãs fanáticos de Los Hermanos) que se espremia para ficar o mais próximo possível do palco - e causar desconforto na pista. Moretti tocava guitarra e às vezes cantava (nem tocou na bateria, instrumento que o consagrou). Arriscou-se a falar com o público num português enferrujado.

Little Joy 2
Foi uma apresentação despojada e sem muita firula, tal qual nas bandas originais dos dois barbudos. Um show correto, redondo e de melodias agradáveis. Como não se sabe se o projeto continuará, devido às agendas difíceis de Amarante e Moretti, esta pode ter sido a última oportunidade de vê-los ao vivo na cidade. Será?

Little Joy 3
Além do horário (em plena quarta-feira, show começando depois da meia-noite e meia? Como se ninguém tivesse que trabalhar cedo no dia seguite...), outro problema foi uma lamentável fila que se formou ao fim do concerto. Havia poucos caixas para acertar todas as comandas de 950 pessoas. Muita gente preferiu esperar a poeira baixar. Bonzão para a banda Sabonetes, escalada para fechar a noite. Eles se beneficiaram do ocorrido, e tocaram para um público numeroso (e ainda animado).

O polaco
Amarante exibia uma camiseta estampada com a cara do poeta curitibano Paulo Leminski, mesmo traje que utilizou em alguns shows nos EUA (e talvez na Europa), propagando mundo afora a imagem do nosso polaco mais ilustre.

Marginal 1
Faz tempo que não falo da sétima arte por aqui. Pois então segue uma dica. Está rolando na Cinemateca de Curitiba a mostra ''Expoentes do Cinema Marginal'', que exibe até sábado três pérolas do movimento que apostou em um cinema renovador, que dialogava com várias linguagens e não tinha receio em satirizar a si próprio (bem diferente do Cinema Novo, que era muito sisudo). As sessões começam sempre às 20 horas, com entrada franca.

Martinal 2
Até hoje ainda dá para ver ''Bang Bang'', policial satírico estrelado pelo canalha mór do cinema nacional Paulo César Peréio. O clima fica mais sério amanhã e quinta-feira com a exibição de ''A Margem'', drama sobre um grupo de pessoas que habitam favelas às margens do rio Tietê em São Paulo. A direção é de Ozualdo Candeias, ex-caminhoneiro que abandonou a boleia para expressar sua arte em imagens granuladas, rústicas e líricas.

Marginal 3
Já na sexta-feira e sábado, é a vez do clássico ''O Bandido da Luz Vermelha'' (para mim, o melhor filme brasileiro já feito), inspirado na história do assaltante sui generis que aterrorizou São Paulo. Assistir a esses filmes em uma tela grande é uma experiência que não pode ser desperdiçada (até porque dois deles ainda não saíram em DVD).

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