CAMARIM
Recapitula
A essa altura do campeonato, provavelmente ninguém mais quer saber de 2008. No entanto, esta coluna esperou o ano acabar para poder analisá-lo com mais distanciamento. A retrospectiva vai recair sobre a música local, por ser o assunto mais frequente por aqui. Num panorama geral, o ano foi de muito trabalho para a música de Curitiba, com cada artista produzindo no seu canto -afinal a idéia de união da cena em uma só tornou-se inviável nos últimos anos, quando cada microcena cresceu a ponto de ter sua própria autonomia; no máximo os músicos de diferentes nichos se conversam (quando muito, dialogam).
Disco físico
Mesmo com os avanços da distribuição de música na internet, muitos artistas continuam lançando (e acreditando nos) CDs. Alguns artistas encaram o disquinho físico como um souvinir, outros o utilizam como plataforma para incorporar diversos outros recursos além da música (como vídeo, por exemplo) e outros continuam levando o formato tradicionalmente, sem extras. Na lista de artistas que lançaram CDs neste ano estão Relespública, Sick Sick Sinners, Big Time Orchestra, Guêgo Favetti, Rogeria Holtz, OAEOZ, Tendéu, MUV, Dissonantes, Radiovox, Ruído/mm, Boobarellas e Real Coletivo Dub, só para citar os que vieram à memória.
Projeto Bandas de Garagem
Os maiores responsáveis por engordar esta lista de CDs lançados foram o selo Discos Voadores e a residência cultural Grande Garagem Que Grava, agraciados com o Edital Bandas de Garagem da Fundação Cultural de Curitiba, que viabilizou o lançamento de diversos disquinhos na praça, com shows no renovado TUC (Teatro Universitário de Curitiba), palco clássico do rock garageiro local. Ao todo foram 25 CDS (12 do selo e 13 da GGG), de artistas como Bad Folks, Criaturas, Heitor & Banda Gentileza, O Lendário Chucrobillyman, Garotos Chineses, Sara 572, Opinião Pública, entre outros.
Encolhimento
Quanto a festivais de música, Curitiba continua encolhendo no calendário. Neste ano não rolaram o Rock de Inverno (que provavelmente voltará a dar as caras em breve), Tinidos (que na edição de 2007 se destacou pelos bons debates que promoveu na Fnac) ou National Garage (este deverá mudar de data, sendo realizado na metade do ano, e não mais no final). Continuaram firmes o Psycho Carnival (mesclando artistas psychobilly locais, nacionais e internacionais na programação), o Psicodália (o encontro neo hippie é realizado em Santa Catarina, mas a organização e boa parte do elenco é curitibano) e o Festival de Inverno da UFPR (realizado em Antonina, e direcionado não só para música, mas diversas outras artes). Segundo informações de produtores, neste ano a situação vai melhorar. Graças a um novo edital local, quatro festivais de música independente já estão garantidos.
Continua...
E na semana que vem tem mais retrospectiva.





