Câmara técnica será lançada depois das eleições
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quinta-feira, 02 de outubro de 2008
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
O Paraná possui 50 mil empresas do ramo de restaurantes, confeitarias, cafés, bares e casas noturnas. Elas oferecem 300 mil empregos. Em Curitiba e Região Metropolitana são 18 mil estabelecimentos. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) está presente nos 27 Estados do Brasil com o objetivo de garantir o desenvolvimento das empresas do setor.
Em conversa com a FOLHA, o diretor executivo da Abrasel-PR, Luciano Ferreira Bartolomeu, fala sobre a criação de uma câmara técnica de bares e restaurantes de Curitiba.
FOLHA - Como surgiu a proposta de criar uma câmara técnica para bares e restaurantes?
Luciano Bartolomeu - Tivemos uma reunião com o secretário municipal de urbanismo, Luiz Fernando Jamur, e colocamos a nossa preocupação com a questão do alvará dentro das empresas de alimentação fora do lar, confeitarias, delivery, bares e casas noturnas. Ele disse que poderia ser organizado uma câmara técnica para resolver estas dificuldades. Hoje existe uma demora de até 120 dias para receber ou renovar o alvará. A prefeitura falou que está melhorando a comunicação e isso poderá ser feito em até quatro dias. Mas isso precisa acontecer.
FOLHA - Quais outros assuntos serão abordados com os técnicos integrantes da câmara?
Bartolomeu - Tem também a questão das denúncias anônimas feitas pelo telefone 156. Às vezes algum morador ou concorrente quer prejudicar um determinado estabelecimento. Com a denúncia o local tem dificuldado em renovar o alvará. Mas muitas vezes a ligação é infundada e a pessoa que denunciou some. Temos que atender a lei mas também precisamos ser respeitados.
FOLHA - Que outras complicações são fruto da demora do alvará?
Bartolomeu - O estabelecimento não pode funcionar sem alvará. Se um alvará é liberado no mês de outubro, queremos que ele seja válido até outubro do próximo ano. Atualmente todas as renovações devem ser feitas no início do ano e isso acumula muito pedido na prefeitura.
FOLHA - A câmara técnica já está funcionando?
Bartolomeu - Os técnicos ainda não se reuniram. Eles vão poder nos dizar o que podemos e não podemos fazer. Como não queremos que isso envolva a parte política, os técnicos irão iniciar as atividades após as eleições.
FOLHA - O barulho causado pelos estabelecimentos geram muitas complicações?
Bartolomeu - A legislação tem um número de decibéis que é permitido em cada lugar. Às vezes o vizinho faz a denúncia mas na hora de medir o barulho é necessário fazer dentro da casa dele, e não no muro ao lado da casa noturna. Em algumas ocasições o barulho emitido pelos carros é maior que o do estabelecimento.
FOLHA - A lei seca prejudicou os empresários do setor?
Bartolomeu - A lei prejudicou a população brasileira e não os restaurantes. A lei anterior já era boa, o que faltava era punição e fiscalização severa. Agora as pessoas deixaram de sair de casa, ficando presas na internet e nas novelas. Acreditamos que elas devem sair, namorar, ver pessoas. Mas não saem por medo. Deveria haver maior fiscalização mas com a lei antiga. Hoje as pessoas não podem sair para provar uma massa e tomar uma taça de vinho.
FOLHA - O uso das calçadas por bares e restaurantes também gera polêmica...
Bartolomeu - Elas podem ser melhor aproveitadas. Na Europa elas são ''adotadas'' pelos estabelecimentos que plantam flores e limpam. As calçadas poderiam ser cuidadas pelos bares. Claro que é necessário deixar espaço para que os pedestres passem com segurança pelo local. Isso será um dos debates da câmara. Mas sempre iremos dar preferência ao pedestre.
FOLHA - Qual será outro assunto debatido pela câmara?
Bartolomeu - A questão da formação de pessoas qualificadas para o setor. Precisamos de cursos técnicos, não só de chefe de cozinha, mas também de pessoas que possam ver a manipulação correta dos alimentos, a refrigeração ideal, o recebimento de mercadoria, embalagem e armazenagem e temperatura correta, mantendo a qualidade do produto e a saúde da população. Tudo isso é uma preocupação da Abrasel. Outro problema é a inspeção dos bombeiros. O primeiro que chega no bar pede algumas alterações. Quando o segundo vai conferir se as mudanças foram feitas, pede outras especificações que não foram solicitadas pelo primeiro. Tudo isso demora a liberação do alvará.


