A Câmara Municipal de Curitiba inicia hoje as atividades plenárias do segundo semestre com sessão de abertura, às 16 horas. Nos próximos meses, os vereadores votarão projetos importantes como o da reforma da Lei Orgânica do município, o dos planos setoriais que integram o Plano Diretor e o projeto de licitação para o transporte coletivo.
Para o presidente da Câmara, vereador João Cláudio Derosso (PSDB), este início de semestre também será marcado por acomodações partidárias na casa. Isso porque no final de setembro termina o prazo para os vereadores atualmente sem partido definirem por qual legenda devem disputar as próximas eleições.
Já o vereador da oposição André Passos (PT) aponta como causa dessa possível agitação a antecipação da campanha política do ano que vem. ''É a tendência pelo fato de a prefeitura ter antecipado a campanha pela sucessão'', afirma.
Na avaliação do professor de ciência política da Universidade Federal do Paraná, Ricardo Costa de Oliveira, a disputa política municipal deverá se concentrar na definição do vice-prefeito para o candidato Beto Richa.
''Teremos várias forças políticas em rota de colisão nesse momento já que a reeleição de Beto Richa para a prefeitura abre caminho para a candidatura dele ao governo do Estado em 2010. E o vice é estratégico nas composições políticas'', observa o professor.
PAC - Outro tema fundamental a ser debatido nos próximos meses, de acordo com André Passos, é a destinação dos recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.
A prefeitura de Curitiba terá R$ 360 milhões para aplicar em saneamento e R$ 200 milhões em habitação, o que deve beneficiar 23 comunidades. ''É um investimento importante, se considerarmos que a média anual de verbas da prefeitura para a habitação foi de R$ 5 milhões nos últimos anos'', observa o vereador, que sugere a criação de uma comissão de acompanhamento para fiscalizar aplicação dos recursos.
O presidente da Câmara aponta como destaque o projeto de redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) para as construtoras, de 5 para 2%. Segundo Derosso, a proposta do executivo visa conservar essas empresas em Curitiba e trazer de volta as que se deslocaram para municípios da região metropolitana em busca de tributos mais baixos.
Para Ricardo Costa de Oliveira, a licitação do transporte coletivo deve ser o projeto cercado de maior polêmica. ''O transporte público é uma questão sempre explosiva porque tem uma relação mais direta com a grande massa do eleitorado'', explica.
Além disso, o tema foi uma das prioridades do prefeito Beto Richa durante sua primeira candidatura e envolve interesses de vereadores e empresas. ''São muitos interesses que atravessam várias legislaturas'', afirma Oliveira.
O cientista político alerta que Curitiba precisa de vereadores com um perfil mais de planejador urbano e menos voltado ao 'clientelismo paroquiano'. ''A maior parte dos vereadores trabalham como despachadores de pequenos grupos de interesse. O que a cidade precisa é de legisladores urbanos que ajudem a administrar o orçamento municipal'', observa.
Oliveira ressalta que Curitiba tem um dos maiores orçamentos per capital do país. ''Há um espaço que deveria ser melhor trabalhado não apenas com clientelismo visando reeleição'', defende.

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