Calouro, o início de uma nova jornada
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Érika Gonçalves<br> Especial para a Folha 
Você acabou de ser aprovado no vestibular, venceu mais uma etapa na vida estudantil e agora se pergunta como vai ser. Será que escolheu a carreira certa, será que está preparado para a universidade?
O professor Ubiraci D'Andrea é geógrafo, trabalha com alunos do ensino médio e pré-vestibular há 29 anos e é diretor geral do Colégio Maxi. Em todos esses anos lidando com jovens, D'Andrea chegou à conclusão de que os alunos saem preparados para a faculdade do ponto de vista da formação e do conteúdo. Mas, do ponto de vista da idade, é muito cedo para uma definição profissional. Segundo ele, os alunos têm de escolher uma profissão com 17, 18 e, às vezes, até com 16 anos. Essa precocidade na escolha gera muita ansiedade nos jovens e a grande maioria fica em dúvida se fez a escolha certa.
Ele acredita que as universidades deveriam ter um período básico comum a todos os cursos, deveriam proporcionar experiências da carreira escolhida, já que têm, no corpo docente, profissionais disponíveis para ajudar nessa definição. ''As escolas proporcionam uma experiência vocacional, mas é diferente do ambiente universitário, além de ser um pouco cedo também''.
O primeiro ano da universidade, em geral, é teórico e parecido com o ensino médio, o que às vezes causa uma certa frustração aos alunos. Nessas horas, muitos pensam em desistir do curso. Para Ubiraci, ''cada caso é um caso, o aluno precisa avaliar bem se o curso preenche seus anseios''. Segundo ele, a família tem de participar de forma assertiva nessa decisão, ver se não é uma atitude precipitada. Se o aluno percebe que aquela escolha não vai torná-lo uma pessoa feliz, vale desistir. O professor comenta também que é comum receber alunos no colégio que se formaram em determinada profissão e decidem tentar uma outra carreira. ''Com a maturidade, a pessoa percebe que deseja fazer uma outra coisa''. Ele lembra, no entanto, que maturidade não é definida somente pelo tempo. E ressalta outro item importante: com o mercado de trabalho hoje procurando profissionais que desempenhem mais de uma função, ter formação em mais de uma área é válido e até desejável.
Por falar em carreira, qual seria a melhor hoje? Para o professor Ubiraci, por sua experiência, existem profissionais felizes em suas carreiras, mesmo que tidas como ultrapassadas, e existem profissionais que estão em carreiras chamadas ''de sucesso'' e que são infelizes. Além disso, o que é visto como sucesso hoje pode não ser mais daqui a cinco, dez anos.


