Durante o verão, aumenta o risco de acidentes com a aranha marrom. No calor, este tipo de aranha, mais comum na região de Curitiba, fica mais excitada e sai de seu esconderijo em busca de insetos para se alimentar. O alerta é da Secretaria da Saúde, lembrando que a média registrada no Paraná é de 3 mil casos por ano de pessoas picadas pela aranha marrom, 2.500 deles somente em Curitiba.
A picada da aranha marrom pode resultar em graves problemas de saúde. Em casos mais sérios causa insuficiência renal. Como na hora a picada é indolor, muitas pessoas não percebem o ataque. A lesão só começa a doer algumas horas depois, com a apresentação de sintomas como manchas vermelhas e roxas, e inchaço, bolhas e coceira.
As aranhas marrons são animais pequenos, medindo em torno de 4 centímetros apenas, quando adultas. Têm coloração marrom e pernas longas e finas. Elas gostam muito de lugares escuros, quentes e secos. No ambiente externo vivem debaixo de cascas de árvores, folhas secas, telhas, buracos, tijolos empilhados, entulhos, muros velhos, entre outros.
Elas constroem teias irregulares com aparência de algodão esfiapado, armadilha ideal para pegar os principais ingredientes de sua dieta alimentar: formigas, pulgas, traças, cupins etc.
CaçadaQuando saem à noite para verificar suas teias e coletar alimento capturado, as aranhas invadem as casas e, fora do seu ambiente natural, acabam se escondendo atrás de vãos, quadros, armários, no meio de livros, caixas de papelão e outros objetos que não são remexidos com frequência.
Arquivo FolhaMatar e correrA pequena de pernas longas revida mortalmente quando é atacada ou tocada: a vítima deve matá-la e ir imediatamente ao médico, levando a prova
Ou então em roupas - toalhas, lençóis, fronhas, meias - ou em calçados. As aranhas marrons, embora não tenham temperamento agressivo, só atacam quando se sentem atacadas. Vestir uma roupa, calçar o sapato pode ser fatal. Até mesmo quando está dormindo a pessoa arrisca, pois pode ter uma aranha marrom de companhia, passeando em sua cama que, ao ser comprimida ou tocada, acaba revidando e picando.
Em caso de acidentes e quando apresentar os sintomas descritos, a pessoa deve procurar imediatamente o posto de saúde ou o pronto-socorro mais próximo, levando, se possível, a aranha, mesmo morta. Isso serve para identificação do antídoto rapidamente.
A demora no diagnóstico e na aplicação do tratamento adequado pode determinar o agravamento do problema. Dependendo do estado físico, se a pessoa não procurar o atendimento pode desenvolver uma grave lesão nos rins que leva até mesmo à morte.
Outro cuidado importante é não tomar qualquer tipo de medicamento sem a orientação médica depois de ser picado pela aranha marrom. Isso só iria mascarar os sintomas e dificultar o tratamento, podendo agravar a lesão provocada pelo veneno.
SoroNos casos mais graves, a Secretaria da Saúde trata as vítimas com soro específico contra o veneno da marrom. O Paraná é o primeiro estado brasileiro a produzir este soro, que foi desenvolvido pelo Centro de Produção e Pesquisa Imunobiológica da Secretaria Estadual da Saúde (CPPI).
Os técnicos do CPPI trabalharam três anos para criar o antídoto. Com a produção, o Paraná adquiriu auto-suficiência no atendimento das vítimas de acidentes loxoscélicos.
Os técnicos da Secretaria da Saúde avisam ainda que não adianta aplicar pesticidas e venenos para combater a incidência da aranha marrom, pois nenhum deles é eficaz contra ela. Aliás, o produto químico só faz com que a aranha abandone seus esconderijos e venha para o convívio humano mais próximo, aumentando a possibilidade de causar acidentes.
Recomenda-se remover entulhos, pedras, madeiras e materiais de construção empilhados dentro ou fora de casa, pois eles servem de abrigo para a proliferação de insetos - seus alimentos - e da própria aranha.

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