Uma caixa d'água não serve apenas para socorrer a família que mora na casa quando há uma interrupção no fornecimento. Também existe uma função técnica para o reservatório. A água que vem da rede chega às residências em alta pressão e essa força é transferida para a tubulação domiciliar. Resultado: além de contribuir para o desgaste dos canos, os chuveiros e torneiras liberam muito mais água do que o necessário. Formas para reduzir este índice existem e são simples, mas desconhecidas da maioria das pessoas.
Um estudo feito pela Sanepar descobriu que 58% das famílias de baixa renda em Londrina não possuem caixa d'água em casa. As pesquisas também indicaram que 77% dos chuveiros e 94% das torneiras têm ligação 'direto da rua'. No giro do hidrômetro, a diferença é brutal. A pressão que vem da rede é 14 vezes maior que a mesma torneira ligada em tubos acoplados a uma caixa de passagem. ''O desperdício é grande quando não há alguma forma de quebrar a pressão'', explica Sérgio Bahls, Gerente Geral da Sanepar. A eficiência da caixa d'água não depende de capacidade e sim da altura em que é instalada. ''Se for colocada numa altura de 3 a 4 metros, a caixa dá uma pressão equilibrada, nem fraca, nem forte'', orienta.
Instalar uma caixa d'água, entre a peça e a mão-de-obra, pode custar até R$ 400,00. Mas há uma alternativa bem mais barata, voltada apenas para a redução da pressão. O técnico Arnaldo Bicalho desenvolveu um modelo com aparência artesanal tão eficaz quanto os modelos de fibra. Custa menos de R$ 25,00. A receita é simples: uma caixa de plástico comum, dessas utilizadas para guardar alimentos, com capacidade a partir de 5 litros, um adaptador com flange instalado embaixo, para fazer a ligação com os canos distribuídos pela casa e uma bóia de 1/2 polegada na ponta, para a água da rede. ''É o suficiente para reduzir a pressão da água que vem da rua, sem comprometer o funcionamento de chuveiros e torneiras'', esclarece. ''Ainda tem a vantagem de ser transparente'', complementa.
Outra forma ainda mais barata de obter economia é instalar dentro do cano da rede um redutor de pressão, uma peça plástica que diminui a vazão para toda a tubulação. O serviço só pode ser feito pela companhia de saneamento. Com a caixa d'água ou o redutor, a diferença no consumo aparece na próxima conta. Com a ligação direto da rua, gasta-se em média 200 litros de água em um banho de 10 minutos. Se a água vier da caixa, o consumo cai para 80 litros, 60% a menos. Na torneira, a economia é de 80%.
Ainda como medida de economia, é preciso checar se não há vazamentos na rede domiciliar. Parece desprezível, mas uma torneira pingando pode representar o desperdício de até 70 litros por dia ou mais de 2 mil litros de água por mês. Se houver mais de uma torneira ou o vaso sanitário com vazamentos, o impacto na conta é bem maior.

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