O nome técnico é complicado e pouco conhecido: R (erre) retroflexo. Mas na prática o fenômeno é bem conhecido porrr quem um dia já pisou nesta terra verrrmelha. E não tem nada de complicado. Falamos 'porrrta' - assim mesmo -, com forrrte entonação na consoante do meio, porrrque fomos forrrtemente influenciados pelos paulistas e mineiros, que ajudaram a povoarrr e desenvolverrr a região.
Há quem diga que não é chique e aqueles que torrrcem o nariz para nosso sotaque acaipirado. Há até aqueles que, depois de uma breve temporada em outras plagas, chega porrr aqui forrrçando um erre carioquês. Nada mais falso. Esta é nossa identidade e temos orrrgulho dela. Sotaque é como aquela manchinha que trazemos desde que nos conhecemos porrr gente. Difícil fazerrrmos com que desapareça.
Além do jeito comum de pronunciarrr os fonemas, temos expressões que são também nossa marrrca registrada. Tente pedirrr, em outra região do Brasil, para que o interrrlocutorrr abaixe a tampa da ''patente'' antes de sairrr do banheiro e repare na sua expressão de estranhamento. Nem o dicionário Houaiss, que traz 10 significados para a palavra, a designa como vaso sanitário. De onde teria, então, surrrgido o costume? Difícil explicarrr. ''Não credito que tenhamos expressões exclusivas da cidade, mas sim uma herança linguística de outros povos'', obserrrva a professora Vanderrrci Aguilera, coorrrdenadora de pós-graduação em Estudos da Linguagem da Univerrrsidade Estadual de Londrina (UEL).
Também costuma causarrr surrrpresa o uso das expressões ''data'' para terreno vazio; de ''bigato'' para o bicho da goiaba; de ''judiação'' para algo que inspire piedade; do verrrbo no indicativo quando o comum seria usá-lo no imperativo (você querrr que eu ''pego'' o livro para você?), e tantos outros exemplos que caracterizam esta terra de muitas origens.
Expressões, costumes, pronúncias, são nosso patrimônio cultural. Um patrimônio que pode até sofrerrr algumas transforrrmações com o passarrr do tempo - como as expressões típicas da zona rural que são aos poucos esquecidas ante à urrrbanização -, mas que ninguém nos tira. Porrrtanto, o erre retroflexo é nosso, com muito orrrgulho.

SERVIÇO
Confira a galeria completa de fotos em comemoração ao 77o aniversário de Londrina em www.folhaweb.com.br

Imagem ilustrativa da imagem Caipira com muito orrrgulho
Boa sorte - O artista plástico José Gonçalves usou colagens de imagens que ilustram o segundo caderno desta edição especial. ‘‘Colorida e dinâmica. É assim que sinto Londrina’’, explica ele, que se apropriou da simbologia do número sete para desejar ‘‘muita sorte’’. ‘‘Fiz colagens dos números confeccionados a partir de imagens que remetem ao município.’’
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Democrático - O artista plástico Demvitor utilizou a arte digital para retratar sua visão sobre a Londrina do futuro no trabalho que ilustra a capa do primeiro caderno Especial de Aniversário. O artista se inspirou no resultado arquitetônico deste movimento e na revolução tecnológica que proporciona o acesso quase ilimitado à comunicação. ‘‘O futuro é democrático’’, enfatiza.
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Criadora - Na arte ‘‘À minha Pequena Londres’’, capa do quarto caderno especial, a artista plástica Letícia Marques mostra sua lembrança da terra vermelha. ‘‘Minha história é a mesma de muitos outros que ajudaram a construir com as mãos a cidade que vivemos hoje e esperamos no futuro’’, comenta.O poema, de sua própria autoria, completa a homenagem da artista à cidade.
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Passagem - Na arte ‘‘Passagem para o Futuro’’, do terceiro caderno especial, o ilustrador e animador de desenhos Lourival Feitosa Júnior criou um londrinense ligado à tecnologia. ‘‘Representa um cidadão pé-vermelho com perfil geek, uma espécie de nerd ‘descolado’. Quis dar vida a um personagem divertido, com tom de humor, como faço em todos os meus trabalhos’’, diz.
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