A bacia do Ribeirão Cafezal requer ações ambientais urgentes de preservação para melhorar a qualidade das águas que abastecem 40% da população de Londrina e Cambé. O alerta parte das entidades participantes de um projeto-piloto que, durante três anos, monitorou a qualidade da água do Cafezal. Resultado: embora os valores das análises estejam dentro do limite preconizado pela legislação, foram encontradas bactérias que causam diarréia persistente e outras multirresistentes a antibióticos de uso clínico.
Financiado pela Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA, na sigla em inglês) e desenvolvido pela Universidade Tecnológica Federal (UTFPR), Sanepar, secretarias estadual e municipal do Meio Ambiente e a ONG Ecometrópole, o Projeto realizou análises microbiológicas e físico-químicas em amostras coletadas todos os meses – em períodos de seca e de estiagem – durante um ano, de agosto de 2011 a julho de 2012.
Segundo a coordenadora do projeto, Luciana Maia, professora de Microbiologia na UTFPR em Londrina, a presença da bactéria E. coli e do protozoário Crysptosporidium – ambos capazes de causar diarréia persistente em adultos e crianças – revela que as águas do Cafezal estão recebendo esgoto clandestino e dejetos de animais oriundos das criações de aves e suínos de granjas instaladas ao longo da bacia. "De todas as cepas de E. coli analisadas, 21% são patogênicas e 100% resistentes a três tipo de antibióticos", informa.
A população não deve consumir jamais a água diretamente do Cafezal, diz a professora, e também não deve ser usada para irrigação de hortifrútis, porque, assim, estaria sendo mantido o ciclo desses organismos no ambiente. "A situação é preocupante, mas não devemos alarmar a população e, sim, sensibilizar a todos para a importância da preservação ambiental e da adequada ocupação do solo", afirma Luciana Maia. "Vamos propor à JICA a continuidade do projeto. A próxima etapa é deflagrar ações de educação ambiental."
A coordenadora geral do Grupo Gestor Cafezal, Sandra Delfino, da Unidade de Serviços de Educação Ambiental da Sanepar, a situação encontrada na bacia – assoreamento, erosão, presença de lixo e falta de mata ciliar – justifica a continuidade do trabalho de intervenção socioambiental. "Vamos intensificar a parte educativa para a formação de multiplicadores do projeto com o objetivo de ampliar o trabalho de preservação" diz Sandra.

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