Café comanda ocupação do Norte e enriquece o Estado
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domingo, 31 de dezembro de 2000
Edilson Moura De Londrina 
O Norte Paranaense permanece coberto de mata até a década de 1930. Nesse ano, um pioneiro o imigrante japonês Mitsugi Ohara compra da Companhia de Terras Norte do Paraná, hoje Companhia Melhoramentos, o primeiro lote vendido pela empresa na região. O local escolhido para ser a sede da companhia é o centro da colonização, que recebeu o nome de Londrina, em homenagem a Londres, capital do país dos colonizadores.
A notícia da fertilidade da terra logo se alastra e milhares de colonos, principalmente mineiros e paulistas, chegam à região. O café já havia entrado anteriormente no Estado, por Jacarezinho e Santo Antônio da Platina. Esses primeiros núcleos eram uma espécie de laboratório para o que seria a grande colonização da região, a partir da década de 30.
Colonos chegam de todas as regiões, principalmente depois do acordo de Taubaté, assinado em 1906. Este pacto impediu o plantio de novos cafezais em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, mas não limitava a expansão da cultura no Paraná, que ainda era sertão bruto.
Na região de Cambará, a companhia inglesa Paraná-Plantation possuía vastos cafezais. Para transportar a produção, foi construída a estrada de ferro São Paulo-Paraná, que ligava Ourinhos a Cambará.
A Companhia de Terras Norte do Paraná foi fundada em 24 de setembro de 1925, a partir do interesse dos ingleses em investir no Brasil e dos colonos que já habitavam a região, que buscavam investimentos estrangeiros para expandir a ferrovia. O objetivo inicial da empresa era produzir algodão para abastecer a crescente indústria têxtil inglesa, mas logo depois desviou sua atenção para a colonização.
A companhia desbravou 546.078 alqueires (13.166 quilômetros quadrados), onde surgiram 63 cidades e patrimônios, distantes um do outro de 15 a 18 quilômetros, formando um verdadeiro colar, interligado por estradas empoeiradas ou pela ferrovia que depois avançaria no sentido noroeste. A estrada de ferro seria de extrema importância para a interiorização do Estado e a expansão da agricultura.
A partir de então, a cafeicultura cresce, sustentando o desenvolvimento não só do Norte, mas até do Sul do Estado, especialmente de Curitiba, e do próprio País. Movimentaria o porto de Paranaguá a tal ponto que, até a década de 60, a economia paranaense dependeria dessa monocultura.
O Estado passaria de sétimo produtor nacional, em 1920, para líder, cinco décadas depois. A pujança do ouro verde na terra vermelha pode ser ilustrada por um fato: nos anos 50, o aeroporto de Londrina seria o quarto do País em movimento.
A derrocada do ciclo cafeeiro se daria a partir da década de 70, em consequência da grande geada de 1975, que dizimaria as plantações, e do cansaço das lavouras, após anos de exploração ininterrupta. O café cederia seu espaço para outra monocultura de exportação: a soja.


