Café adensado conquista o Norte
Vânia Casado
De Curitiba
Com a tecnologia do plantio adensado, o produtor paranaense de café está colhendo os lucros e sobrevivendo às flutuações de preços. O modelo tecnológico proporciona alta produtividade e baixo custo de produção. Além disso, permite uma recuperação rápida das plantas após a poda ou ocorrência de geadas. A técnica praticamente resgatou a cafeicultura paranaense da extinção. Para se ter uma idéia, em 1989 o único viveiro de mudas de café que restava no Estado estava na iminência de ser desativado. Com a adesão dos produtores à técnica do adensado, hoje são mais de 300 viveiros distribuídos nos municípios das regiões Norte e Noroeste do Paraná.
Foi pensando na necessidade de redução de custos para enfrentar a crise de mercado que se encontrava o café, que os pesquisadores do Iapar desenvolveram essa técnica. Justamente porque o produtor não tinha e não tem o domínio do mercado, cujas decisões são adotadas nos gabinetes, diz o pesquisador Armando Androcioli Filho, um dos técnicos responsáveis pelo estudo e implantação da tecnologia no País. Segundo ele, o modelo estava disponível desde o início dos anos 80, mas o produtor era resistente em mudar o sistema de plantio.
Quando ocorreu o rompimento do Acordo Internacional do Café, em 1989, e com a livre concorrência, os preços despencaram, o que culminou, em agosto de 1992, com o menor preço histórico do café. Os produtores que permaneceram na atividade se conscientizaram de que não compensava plantar o café com alto custo de produção. A crise foi seguida de uma um acordo firmado pela Associação dos Países Produtores de Café (APPC), que criou uma política de retenção de 20% da produção de café pelos países produtoras.
Com a política de retenção do café e as rigorosas geadas ocorridas em 1994, os preços começaram a regir. Foi quando uma ação integrada entre governo do estado, governos municipais e cooperativas começou a agir para a revitalização da cafeicultura no Paraná, dentro do novo pacote tecnológico defendido pelo Iapar. Mais de 300 técnicos foram treinados para orientar o plantio adensado aos cafeicultores e hoje a técnica é aceita tanto pelos grandes como pequenos produtores.
Países como a Costa Rica e Colômbia também cultivam o café no sistema adensado. Mas foi no Paraná que a técnica se expandiu, a ponto de revelar um enorme potencial para o aumento de produtividade. A produtividade nos cafezais adensados da Costa Rica é de 25 sacas beneficiadas por hectare, e no Paraná é de 41 sacas por hectare.
A vantagem do plantio adensado é o aumento da população de plantas. Com a redução do espaçamento entre as linhas, é possível concentrar até 10.000 plantas por hectare, diz Armando Androcioli Filho. Isso eleva a produtividade da lavoura e reduz os custos de produção. O custo está avaliado hoje em R$ 59,00 a saca, que permite suportar as fortes oscilações que ocorrem na comercialização do café, enquanto o custo de produção do plantio tradicional está avaliado em R$ 96,00 por saca, segundo Androcioli.
A área total ocupada com café no Estado é de 149.000 hectares, dos quais 36.600 hectares são de café adensado, o que corresponde a 24% da área. Ocorre que a área em produção aumenta a cada ano e a expectativa é de aumentar signficativamente essa participação, já que a técnica é plenamente dominada pelo produtor. Este ano, a produtividade do plantio adensado está rendendo 47 sacas beneficiadas por hectare, enquanto o cultivo tradicional rende 13,5 sacas por hectare.





