Cães sofrem como fumantes passivos
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sábado, 24 de setembro de 2005
Ricardo Westin<br> Agência Estado 
São Paulo - Como se não bastassem os danos à própria saúde, os fumantes acabam de receber mais uma má notícia. Um estudo feito na Universidade de Brasília (UnB) adverte que, ao acender um cigarro, eles transformam até seus próprios animais de estimação em fumantes passivos.
Foram analisados, ao longo de dois anos, 30 cães da raça yorkshire terrier. Metade deles convivia com pessoas que fumavam pelo menos 20 cigarros por dia. A outra metade vivia em casas livres do tabaco. Resultado: todos os 15 animais habituados às baforadas sofreram alterações no organismo. Os outros 15 mantiveram a saúde perfeita.
O veterinário Marcello Roza, autor do estudo, fez dois tipos de exame nos cachorros. O primeiro, de urina, detectou a presença de cotinina (um dos produtos derivados da nicotina, a substância do cigarro que leva ao vício) no organismo dos que inalavam a fumaça do cigarro. O segundo exame, uma broncoscopia, apontou que os cães fumantes passivos desenvolveram em seus pulmões mais macrófagos e linfócitos (células do sistema imunológico), uma reação do organismo às agressões do cigarro.
Quem convive com fumantes inala nicotina, monóxido de carbono, amônia, benzeno e outras substâncias cancerígenas. Nos humanos, os efeitos do tabagismo passivo variam conforme a idade. Em bebês, segundo o Instituto Nacional de Câncer, o risco de morte súbita sem causa aparente fica cinco vezes maior. Em crianças, aumenta a vulnerabilidade à pneumonia e a bronquites e piora a asma. Em adultos, aumentam em 30% as chances de câncer de pulmão e em 24% as de enfarte.
Nos cachorros, as possibilidades de esses problemas surgirem são menores, já que eles vivem 12 anos em média, bem menos que o homem. No entanto, eles não têm como evitar os efeitos imediatos das baforadas dos donos, como irritação nos olhos, secreções pelo focinho, espirro, tosse e alergias.


