Cães e donos têm encontro marcado
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Os donos de cães de estimação consideram seus animais como integrantes ativos da família. Alimentar, dar banho, procurar as melhores guias de passeio e os mais saborosos aperitivos fazem parte da programação. O problema é que os cães não são bem-vindos em todos os lugares. Em restaurantes, por exemplo, a presença deles é vetada. Condomínios querem inibir a criação de animais. Nos parques, as restrições para o convívio com um cão principalmente de porte grande são cada vez maiores. Os cães precisam usar focinheiras, têm que estar com guias reforçadas que não permitam que eles incomodem outras pessoas. Os donos têm que andar com sacolinhas para limpar os locais onde o cão escolher para defecar.
Em alguns lugares, os cães chegam a ser discriminados. Nos shoppings, por exemplo. Quando não são proibidos (os shoppings deixaram de vetar a presença de animais com a locação de lojas para pet shops), os cães só podem circular no colo dos seus donos. Mas em Curitiba, os proprietários de animais resolveram revolucionar e escolheram um parque onde todos os freqüentadores têm cães e os levam para passear. Conhecido apenas como Parcão, o local é grande e arborizado. Está localizado nos fundos do Museu Oscar Niemeyer. Tem espaço para centenas de animais ao mesmo tempo. Ali, todos são tratados com carinho. Os donos trocam telefones para manter contato. Cães de raças exóticas se encontram. Namoros são agendados.
A veterinária Luciane Lazzarotto leva seus dois cockers para passear. O cocker spaniel inglês Leonardo precisa ficar na guia. Por ser um pouco agressivo com outros cães e ciumento, Luciane prefere mantê-lo por perto. Já Mô, uma linda cocker spaniel americana (raça mais difícil no Brasil), brincou por mais de uma hora. Corria atrás de brinquedos. E tinha o parque todo pela frente. Eles ficam muito felizes quando a gente vem aqui. Brincam bastante, relatou a veterinária. Luciane não levou guia para Mô. Apenas sacolinhas para recolher as fezes dos cães. Se queremos ter um lugar apenas para nossos cães temos que cuidar para preservar este lugar, disse ela.
A labradora Maya, de um ano, também correu bastante e livremente. Ela foi cheirada por vários cães e fez amizade com um casal de labradores que estava brincando no parque. A dona Simone Ueno, de 27 anos, estava orgulhosa. Ela está feliz. Gosto de trazê-la aqui. Simone não tem muito tempo para passear com Maya. Ela é fisioterapeuta. Mas duas vezes por mês freqüenta o Parcão. Curitiba é tempo. Hoje a gente resolveu arriscar, mesmo com o tempo nublado. É ótimo vir. Ela brinca bastante. Chega em casa e dorme.
Quatro cães de porte médio e grande corriam livremente pelo parque. Os donos observavam de longe. Três pastores alemães (todos sem focinheira e sem guia) e uma vira-lata. Todo domingo a gente está aqui. É uma delícia. Eles se desestressam. Ficam livres. Aqui é uma delícia, disse a dona do grupo de cães. Ianca, a vira-lata, era a única que estava presa numa guia. Ela é mais brava e não aceita muito o afeto de cães estranhos. Ianca foi trazida de Guarapuava. É o meu xodó. Os pastores Guitara, Bóris e Noel fizeram amizade com outros animais que brincavam no parque. O legal é que ficamos todos amigos aqui. Temos objetivos em comum. Gostamos de animais. A gente troca contato e filhotes. É muito legal.


