‘‘Depois de mais de um mês de ensaios, de confeccionar ela mesma o seu quimono, Mitsue Imamura não viu satisfeito o seu desejo de dançar para o casal imperial: ela desmaiou, de fome, pouco antes do grupo de 500 senhoritas e senhoras do Paraná do Paraná executarem danças folclóricas japonesas, frente ao palanque das autoridades’’. A notícia foi publicada na edição de 21 de junho de 1978 em reportagem da Folha de Londrina, um dia depois do príncipe herdeiro Akihito e da princesa Michiko participarem, em Rolândia, das comemorações dos 70 anos da imigração japonesa (Imin 70).
A reportagem diz que Mitsue, na época com 78 anos de idade, chorou de frustração, mas acabou se conformando: ‘‘Não vou dançar, porque posso passar mal de novo e atrapalhar as colegas’’. Em outro trecho, a recepção ao casal imperial é descrita com detalhes: ‘‘Vestindo terno preto - a calça com barras tradicionais e atualmente com pouco uso no Brasil - o príncipe Akihito desceu de um Galaxie, em companhia da princesa Michiko, trajando conjunto na cor bege - saia pouco abaixo dos joelhos - tendo uma flor amarela na lapela, e usando chapéu branco’’.
A previsão para a época era de concentração de cerca de 30 mil nipo-brasileiros no Centro Agrícola de Rolândia, visitado pelo casal de príncipes. Somente um terço do previsto compareceu naquele 20 de junho. A jornalista Mahoko Kasuya Saldanha, da Folha de Londrina, ainda era uma ‘‘foca’’, estreante na profissão. Por ser de origem japonesa, Mahoko foi escalada para a equipe de cobertura dos festejos da Imin 70 e da visita de Akihito e Michiko.
Mahoko acompanhava as autoridades que seguiam o príncipe quando teve a oportunidade de ficar somente a alguns passos de Akihito. A jornalista hoje lembra que gritou em japonês: ‘‘Meu príncipe!’’ Akihito correspondeu ao chamado e Mahoko foi a única jornalista, durante a cobertura da visita, a entrevistar, mesmo rapidamente, Akihito.
A profissional, atualmente integrando equipe do jornal nipo-brasileiro Brasileiro Shimbun, virou manchete do seu próprio jornal. A Folha publicou a ousadia de sua jornalista com o título ‘‘A intrépida Mahoko’’.
Também naquela vez, ainda príncipe herdeiro mas já com a manta divina, Akihito quebrou o protocolo cumprimentando jovens nipo-brasileiros e até se abaixando para amarrar o cadarço do sapato esquerdo.

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