Da Redação
O grande impulso dado à industrialização nos últimos anos da década de 50, por força do espírito desenvolvimentista do presidente Juscelino Kubitschek, envolveu o empresariado brasileiro num clima de entusiasmo capaz de produzir frutos que determinaram a nova ordem econômica do País para o século. No meio da efervescência, estava o empresário paulista Horácio Sabino Coimbra, que vislumbrou que a industrialização de produtos agrícolas para comercialização no exterior era um caminho lógico e irreversível.
No cenário favorável para grandes idéias, Horácio Coimbra passou à missão de convencer outros empreendedores da possibilidade da produção do café instantâneo, que anos depois seria popularizado como café solúvel, procurando acercar-se de informações e de estudos para comprovar o que pensava. Naquele momento, uma grande parcela da exportação do café verde brasileiro já era destinada à transformação do café solúvel, sobretudo em indústrias dos Estados Unidos, cujo consumo fora difundido principalmente após a Segunda Guerra. Na Europa, os soldados norte-americanos tomavam café solúvel.
Mas, ao mesmo tempo em que constatava a grande oportunidade, Horácio verificava que as exportações de café para os Estados Unidos tendiam a cair em volume, na proporção do avanço do café originário da África, bem mais barato mas de qualidade inferior. A indústria norte-americana, que havia percebido a vantagem de comprar café africano, estava adquirindo o produtor brasileiro apenas para melhorar a qualidade do solúvel que fabricava.
Era para se desistir do empreendimento. Mas Horácio Coimbra não era homem de recuar em qualquer adversidade. Pragmático, o empresário decidiu entrar com tudo na briga, apostando que se produzisse um café solúvel brasileiro com o grão brasileiro, de alta qualidade, chegaria a um excelente produto final, com o que passaria a disputar o difícil mercado mundial. E ele tinha companheiros para entrar no desafio.
É nesse cenário que no dia 19 de outubro de 1959, ao lado de inúmeros colaboradores, que Horácio Sabino Coimbra funda a Companhia Cacique de Café Solúvel, em Londrina. Estabelecida a empresa, Horácio e outros integrantes do grupo embarcam para os Estados Unidos, América Central e Europa, visitando países que já detinham a tecnologia da fabricação do solúvel e mercados que já estavam habituados ao consumo ou eram consumidores em potencial.
Ao final, o grupo percebeu que era necessário um estudo mais profundo sobre os hábitos dos consumidores e consequentes estratégias de mercado para fazer chegar o produto brasileiro aos lares estrangeiros, o que fariam em seguida, e que seria o marco brasileiro em termos de enfoque de exportação. Afinal, naquele momento, o Brasil era mais comprador do que vendedor de produtos para outros países.
De volta a Londrina e repleto de informações, o grupo de Horácio decidiu montar uma usina-piloto para treinamento simultaneamente ao início das obras civis da Cacique. E enquanto aguardavam os equipamentos comprados no exterior, engenheiros, técnicos e operários, supervisionados por especialistas estrangeiros mergulharam com ânimo no treinamento, assimilando, compreendendo e aperfeiçoando processos tecnológicos de desidratação dos grãos de café.
A Cia. Cacique começava da forma correta e iria desde o início capacitar-se para entrar, competir e atender às exigências do concorrido mercado internacional do solúvel, absorvendo e aprimorando tecnologia de sustentação de seus objetivos, compatibilizando a produção industrial à prática de preços competitivos. O estabelecimento da empresa em Londrina não foi por acaso: a região era a que mais produzia café no mundo, um fator importantíssimo.Empresa criada pela antevisão de empreendedores desafiou cenário difícil da época e provou estar certa
DivulgaçãoNO PLANETAA Cia. Cacique de Café Solúvel mantém em Londrina a maior fábrica do mundo sob o mesmo teto: 22 mil toneladas de café solúvel por ano

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