Cabeça energizada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de junho de 2009
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Atuando como psicóloga de Recursos Humanos de uma empresa, a curitibana Giovana Tessaro se viu numa situação limite, há cinco anos. Morava sozinha e já fazia tratamento psicológico durante dez anos para depressão. Ela ainda sofria de fibromialgia, estresse pós-traumático e pânico. "Cheguei ao ponto de olhar para fora do apartamento por uma fresta da cortina. Nem a família entendia bem o que eu estava passando. As pessoas não têm informação mesmo, costumam tachar de frescura, falta de vontade, porque esses distúrbios mentais não têm sintomas no corpo, não é uma ferida física", conta.
"Fiz muitos tratamentos, mas apesar da compreensão dos meus problemas, meus sentimentos e atitudes não mudavam. Meu corpo não respondia e parecia que não tinha solução", lembra Giovana, que ganhou de um amigo um livro sobre EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares). A técnica descoberta nos Estados Unidos, na década de 1980, ativa mecanismos de criatividade e de cura do cérebro para tratamento de patologias mentais e otimização do desempenho.
"Sempre estudei muito, passei a compreender mais o cerébro e a psicanálise. E no EMDR vi que a Psicologia e a Neurologia conversavam muito. Essa abordagem modifica profundamente o sistema nervoso. "Fui atrás de profissionais que aplicassem o EMDR e senti a diferença nas primeiras sessões. É incrível. Então pensei, que eu não era a única pessoa a sofrer com esses problemas. Deixei o trabalho na empresa e abri meu consultório. Estou focada na busca de processos de cura e desenvolvimento criativo do ser humano", explica ela.
Há quatro anos, a psicóloga faz atendimentos psicoterapêuticos, aplicando a técnica de EMDR não apenas para tratamentos de doenças mentais, mas na melhora da qualidade de vida, para gerenciar estresse, desenvolver a potencialização do desempenho pessoal, profissional, criativo, esportivo e sexual. "Me volto para o cerébro, a caixa de funcionamento do corpo e de um mecanismo natural do organismo que é o Sistema de Processamento de Informação e Adaptação. Esse sistema promove o equilíbrio entre o nosso interno e o meio ambiente. Quando ele trava, fica difícil a razão e emoção andarem juntas, daí surge o conflito", situa.
Adultos e crianças
Segundo a psicóloga, as técnicas convencionais de terapias pela fala tem pouco acesso ao cérebro emocional. "Nossa cabeça é muito dividida. O hemisfério direito se relaciona à emoção, enquanto que o direito à lógica. De cima para baixo o cérebro tem três divisões também: a reptiliana que concentra o instinto, já a mamífera traz a emoção, enquanto que a humana se relaciona a comunicação, a fala, a criação", informa. "O EMDR rastreia a causa do problema, quando não se sabe o trauma, por exemplo, para processar os traumas de vivências difíceis do paciente", completa Giovana Tessaro.
Trocando em miúdos, através da estimulação sensorial bilateral é possível ativar e criar conexões entre as várias áreas cerebrais. Se trata de um processo simples, o cérebro recebe informações do ambiente, através de perguntas que ativam os hemisférios e estimulações sensoriais que promovem o fluxo de energia (corrente sanguínea) entre diferentes regiões cerebrais. Os estímulos são táteis, sonoros e oculares, como acompanhar o movimento repetitivo de uma varinha, de um lado para o outro. "O paciente fica o tempo todo acordado, para que o cerébro entenda que trabalha naquele momento as lembranças apenas", completa.
"O EMDR estimula o verdadeiro instinto para a cura, por isso que os resultados são rápidos. Converso como paciente o mínimo possível, o importante é processar. O paciente não pensa a melhora, ele sente a melhora. O EMDR é uma técnica fisológica com resultados psicológicos. Os resultados podem ser vistos através da tomografia, onde vemos as áreas relaxadas e em estresse após as sessões", acrescenta a psicóloga, dizendo que apenas psicólogos e psquiatras capacitados pelo EMDR Institute devem aplicar o EMDR, porque se mal conduzida, a técnica pode levar o paciente a retraumatização.
As indicações do EMDR são para adultos, inclusive para portadores de deficiências visual e auditiva, e crianças. Nesse último caso, as crianças participam das sessões acompanhadas dos pais. De acordo com a psicóloga, a maior demanda de tratamentos são para depressão, pânico, otimização do desenvolvimento profissional, problemas de relacionamento interpessoal, alergias, gastrite. As sessões variam de acordo com o caso, e podem durar de uma a duas horas. Os casos que levam mais tempo de tratamento são de transtorno bipolar (cerca de dez anos) depressão e pânico (até dois anos).
SAIBA MAIS
EMDR e Brainspotting podem ser aplicados no tratamento de:
- angústia e fobias
- depressão grave
- pânico
- dislexia
- baixa autoestima
- bulliyng
- dificuldades de aprendizagem
- gagueira, timidez
- fibromialgia
- transtorno bipolar
- dificuldades de relacionamento
- problemas de desempenho sexual
- somatizações
- excesso de ansiedade, ciúmes, culpa, raiva
- excesso de dores, formigamentos, cheiros e gostos que não existem
- dor fantasma
- estresse pós-traumático
- memória perturbadora
- vítimas de catástofres naturais, acidentes e violências
OTIMIZAÇÃO DO DESEMPENHO
- melhoria do desempenho profissional (negócios, artes e esportes)
- melhoria no aprendizado de idiomas
- preparação e recuperação de cirurgias
ATENDIMENTO INFANTIL
- comportamento autodestrutivo
- constipação
- desenvolvimento infantil
Fonte: Giovana Tessaro (www.giovanatessaro.com.br)


