Busto de reitor foi arrastado pelo Centro
Do alto de um prédio no Centro de Curitiba, um estudante, munido com um rádio comunicador, avisou os colegas na reitoria de que a reação iria começar. De todos os lados, a Companhia de Operações Especiais da PM, a infantaria e a cavalaria chegaram para pôr fim na invasão. Os estudantes se viram cercados, mas não se intimidaram. Centenas de jovens gritaram para os policiais militares: ''Você que é povo também entre nessa luta que é do povo''. A esperança era convencer os jovens armados de que o objetivo dos estudantes, manter a UFPR pública e gratuita, também interessava a eles. Ninguém levou o convite dos manifestantes a sério.
De um telefone público, o presidente da União Paranaense dos Estudantes, Stênio Salles Jacob, ligou para o governador e o alertou: ''Se houver repressão, o senhor vai entrar na história como assassino de estudantes''. ''Não lembro se foi isso que ele falou, mas o caso era que não queríamos um confronto'', diz o ex-governador Paulo Pimentel. ''Pedi que se tentasse um acordo'', lembra. O responsável pela negociação foi o secretário de Segurança, o desembargador José Munhoz de Mello.
Poucas horas depois, Pimentel recebeu do Exército a informação de que tropas federais seguiriam para a Universidade. ''Achavam que a PM estava sendo muito 'mole' com os estudantes. Foi quando pedi aos estudantes que deixassem o prédio, uma vez que o movimento já tinha conseguido que suas reivindicações fossem parcialmente atendidas'', conta.
Já Luiz Manfredini diz que os estudantes deixaram o prédio porque foram informados por Mello de que o diretor da Faculdade de Engenharia, Ralph Leither, havia concordado em não abrir a matrícula do curso noturno até que se conseguisse a gratuidade do curso.
O secretário também teria se comprometido a retirar as tropas da PM e a não prender ninguém. Os estudantes deixaram o prédio e seguiram em passeata até a praça Osório, levando arrastado o busto do reitor. ''Quando o Exército invadiu o prédio, uma hora depois, não encontrou ninguém'', conta Pimentel. Poucos dias depois, o Conselho Universitário extinguia o pagamento de anuidades na UFPR. (R.C.F.)





