Em 2009, foi o quarto ano em que a música eletrônica ganhou espaço dentro da Oficina de Música de Curitiba, já na sua 27 edição. De fato, é um curso muito recente. Para Ilan Kriger, que também é um dos diretores artísticos da Oficina de Música Eletrônica, o crescimento do interesse em cima do gênero tem a ver com a novidade. ''Ainda não é comum'', diz. Este ano, 24 pessoas participaram. Na escola fundada por Kriger, pelo menos 30 alunos fazer um curso intensivo realizado em janeiro.
Kriger lembra que a grande procura se deve às novas gerações, que não consideram estilos como house, psy, trance, techno, drumb'n'bass, minimal, entre dezenas de outros, apenas como ''bate-estaca'' ou barulho. Muitos que hoje querem ser DJ cresceram ouvindo essa música em videogames de 8 bits ou baixaram na semana passada, em um blog brasileiro, uma nova mixtape do DJ alemão Zhao com minimal, kunduro e tech house produzidos na África. O mundo não tem mais fronteiras.
Se as barreiras da informação e da tecnologia não existem mais, qualquer pessoa pode usar essas ''armas'' para criar - e não apenas consumir - cultura. É o caso de Fábio de Oliveira Rodrigues, de 25 anos, que participou da Oficina de Música Eletrônica para aprimorar seus conhecimentos na área de produção musical. Com seu grupo Eu, Você e Maria pretende fazer uma mistura entre música digital e analógica, substituindo os instrumentos dos ritmos brasileiros por batidas sintéticas, samplers e loopings.
Fábio diz que, por hora, ainda não pretende se lançar como DJ nas pistas de dança. A área do produtor é mesmo o estúdio - e, no caso dele, o estúdio vai dentro da mochila: um computador, uma boa placa de som, um microfone e um controlador. ''Com a música eletrônica veio junto a democratização. Hoje não é preciso R$ 200 mil para fazer música'', diz.
Companheira de Fábio no projeto de substituir o som orgânico pelo eletrônico, Juliane Neves Fiorizi, de 22 anos, procurou aprender mais sobre música eletrônica para utilizar em seu trabalho. Formada em Musicoterapia, Juliana diz que quer trabalhar com produção musical e os elementos da música eletrônica estão cada vez mais difundidos na sociedade. ''Vim buscar esses elementos para usar no meu trabalho'', revela.
Juliane, que toca teclado, violão e canta, diz que descobriu a música eletrônica mais tarde, quando já estava na faculdade. Acabou gostando tanto que procurou um curso. Nesse primeiro momento quer produzir mais, mas não afasta a possibilidade de virar DJ. ''Ainda quero tocar em uma pista, mas mais para frente'', comenta Juliane, que quer estudar mais antes de enfrentar o público. ''Tocar é relativamente fácil, mas para se destacar na cena é difícil. Tem de ter uma coisa a mais'', acredita.
Já os amigos William Lazzare e Caio Busetti, ambos com 18 anos, já sentiram como é tocar como DJ em uma pista de dança. A dupla é de Farroupilha, no Rio Grande do Sul, e esteve em Curitiba na semana passada para estudar mais sobre música eletrônica.
Caio toca tech house e William, psy trance. Começaram juntos, vendo um amigo tocar. Acabaram se interessando e buscando aprender. Para tocar nas festas de Farroupilha, foi um pulo. ''Quando você vê a galera ali, gritando e pulando na sua frente, você sai de alma lavada. É uma sensação incrível'', diz William. ''Quem está tocando se diverte mais que os outros'', completa Caio. (T.A.)

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