Brincadeiras de criança
O tempo de criança nos pequenos povoados paranaenses parece que não passou. A bola de meia e a bola de gude teimam em escapar dos dedos da garotada, que ainda não conseguiu alcançar a esperada inclusão digital. Brincadeiras e tradições infantis antigas continuam estalando no dia-a-dia, com o mesmo sabor e prazer de comer jabuticaba no pé.
Os garotos de Caraguatá são um exemplo desse cotidiano, jogando a bola para o escanteio só por outro brinquedo: escorregar morro abaixo num pedaço de papelão.
''Aqui cada época é uma brincadeira. Tem dia que a gente solta pipa ou, às vezes, brinca de bola de gude'', conta Charles dos Passos, 13 anos, aluno da quarta série do fundamental da escolinha do vilarejo.
A brincadeira não é nova entre os pequenos moradores, sendo que o comerciante Jamir de Bonfim, 38 anos, já subia arfando de cansaço a mesma colina, descendo embalado nos seus dias de menino.
''Eu não tinha esses brinquedos que as crianças da cidade têm, como bicicleta. Nunca tive, que nem esses piás daqui'', lembra Bonfim.
O motorista Vilson Ribeiro Santos, que há alguns anos deixou de ser criança, diz que, no seu tempo de bola de meia, a ''humildeza'' das pessoas também dava alegria à infância.
Já o estudante Matheus Pimentel Santos, que, aos 14 anos de idade, está trocando a voz de criança pela de adolescente em Pinhalzinho, observa os anos irem embora, olhando o trem que chega e parte da estação do povoado.
Desse mirante da própria vida, o garoto conta que vê conhecidos morrendo, mas também outro tanto nascendo.
Nesse tempo entre um que vai e outro que chega à vidinha do interior, o adolescente acrescenta que se diverte nos bailes.
Alguns amigos preferem jogar bola. Ele não gosta e, por isso, o tempo em que os colegas disputam a pelota, o adolescente passa na estação.(F.L.)





