Brechós, skate e muita cor
O guarda-roupas da banda Boi Mamão traz mais do que uma grande variedade de peças multicoloridas. É uma reafirmação das convicções musicais dos integrantes. Nosso som é uma mistura do ska com elementos da música brasileira e de tendências do momento como o hardcore. As roupas que usamos nos shows simbolizam esta miscelânea: usamos alguns ternos, como as bandas de ska dos anos 60 faziam, só que com muita cor. Tem muito verde, amarelo e azul, para lembrar nossas origens, explica o baterista Renê Bernunça.
Também integram o estilo dos integrantes camisas com estampas exóticas, óculos escuros estilo tia velha e cortes de cabelos extra-terrestres (Glerm, o vocalista, carrega um vistoso topete moicano, enquanto Bernunça tem uma juba da qual saltam dois pares de tranças). Para montar os figurinos, a banda recorre aos brechós. Os prediletos da banda são os que ficam na Rua Carlos Cavalcanti e nas proximidades da rua Riachuelo. Não são brechós descolados. E por isso mesmo encontramos um monte de coisa legal. Comprei um terno de veludo roxo, com calça boca de sino, por R$ 15,00, conta Bernunça. Os vendedores das lojas se divertem com nosso gosto. Teve um que ficou rindo e disse: que moçada louca!.
A turma do grupo Snorkels, uma das novas revelações da safra local, emprega nos seus shows figurinos igualmente delirantes. Só que, ao contrário do Boi, não costumam seguir uma tendência muito definida. Já fizeram shows com pijamas, tip tops, uniformes de frentistas, batinas de padres. Temos uma inspiração meio teatral, define o baterista Rui. Tocamos hardcore, mas achamos batido demais subir no palco só de bermudão e camiseta de marca de surf. Nossos figurinos viraram uma marca registrada do show.
Na hora de montar os modelos que serão usados em cena, o principal recurso é revirar o baú da família. Vamos pouco a brechós. Basta procurar bem para achar uma peça esquisita no armário da mãe ou da tia, diz Rui. Vale pegar desde pantufa, aquecedores de orelha e bermuda com estampa dos personagens Tom & Jerry até guarda pó e camisa antiga de time de futebol.
O trio Magnéticoss, que está lançando seu primeiro CD, conta com uma grande ajuda para montar seus figurinos: o patrocínio de uma marca de skatewear. Mas isso não limita a criatividade estilística dos músicos. Fazemos uma coisa meio kitsch, conciliando as roupas de skatista e de streetwear mais básicas (camisas polos e calças lisas) com ternos e gravatas bem anos 60, diz o vocalista e baixista Jr. Ferreira. O resultado pode ser definido como um estilo skate-social. Completando o look, Jr. adota um penteado que ele mesmo qualifica como rebelde natural: é só ficar um tempo sem pentear. Não precisa ter nenhum cuidado especial: antes eu pintava, mas hoje isso já está muito batido. (F.C.)





