Brasília fez condomínio pioneiro
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quarta-feira, 10 de dezembro de 1997
Londrina 
Arquivo FolhaProfissionalismoYwao Miyamoto, 55 anos: experiência em industrialização de sementes e adequação tecnológica da empresaA cerâmica dos Mortari chegou a empregar 150 trabalhadores, e a serraria, em determinada época, deu emprego para cerca de 60 londrinenses. A Construtora Predial, o terceiro grande empreeendimento da família Mortari, foi outra empresa que deixou traços na cidade. Algumas das casas antigas de madeira da Rua Sergipe, por exemplo, têm a marca da família. Algumas das grandes edificações do centro de Londrina, onde atualmente funcionam agências bancárias ou grandes lojas de departamentos, também foram construídas pelos Mortari. A construção do Edifício Autolon, por exemplo, foi administrada pela Predial.
A família ainda se dedicava à cafeicultura, mantendo cerca de 200 mil pés de café. Tínhamos também suínos e um pouco de gado leiteiro na fazenda. Para o pai não tinha nada difícil. Ele era um homem de planejamento, não tinha escola mas tinha muita experiência. Era um empreendedor, ele dava um ministro de Planejamento bom danado, orgulha-se Leonel Mortari.
ObrasPresidente da Comunidade Portuguesa do Norte do Paraná e ocupando o cargo de cônsul de Portugal há 27 anos, o pioneiro Manuel Alho da Silva, contemporâneo dos Mortari, hoje se dá ao direito de dedicar mais tempo às duas entidades e às fazendas no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Nos últimos seis anos ele começou a delegar aos filhos a administração da Construtora Brasília. Não quer dizer que eu saí da empresa. Apenas me afastei um pouco da administração para poder me dedicar às entidades e às fazendas.
A construtora que ele fundou em 1959 com o sócio Milton Gavetti é responsável por alguns das grandes obras não só de Londrina, mas também no Estado e no País. Prédios de supermercados em várias localidades, por exemplo. Mas é com maior ênfase que ele destaca obras em vários aeroportos brasileiros executadas pela Brasília.
Alho da Silva relaciona as reformas e as ampliações do terminal de cargas dos aeroportos de Manaus, Congonhas, de Londrina, Florianópolis, Navegantes e o Salgado Filho, de Porto Alegre. Outra grande obra citada por ele é o da restauração da estrada de ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho (Rondônia).
Entretanto, o que mais enche o pioneiro de orgulho é o sistema de condomínio que ele inplantou: Esse negócio dos condomínios quem trouxe para o Brasil fui eu, diz. Porque o primeiro condomínio feito no Brasil foi em 1960. Foi o Condomínio Piauí, na Rua Piauí, em Londrina, entre a Avenida Higienópolis e a Rua Hugo Cabral.
Segundo ele, o condomínio surgiu para suprir a falta de recursos para financiar grandes obras pelas instituições bancárias. Pelo condomínio o apartamento sai pelo preço de custo. Para a construção, é feito o levantamento das despesas no fim de mês e rateado entre os participantes. As pessoas colocam o acabamento que desejarem, explica.
Edifícios no sistema de condomínio, segundo Alho da Silva, foram construídos pela Construtora Brasília em Londrina, Arapongas, Foz do Iguaçu, Curitiba, Santo Antônio da Platina, Jacarezinho, Andirá, Cambará, Ibiporã, entre outros. Fora do Paraná, o sistema foi levado para Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo, Botucatu, Barra Bonita, Jaú, Bauru, Garça, Presidente Prudente, Tupi Paulista e Andradina (todos no interior de São Paulo), além de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. No início só nós construímos pelo sistema de condomínio. Depois começaram os outros companheiros.
A inovação, segundo Alho da Silva, atravessou inclusive as fronteiras do País. A experiência da Construtora Brasília no ramo de condomínios chegou a Portugal e ao Paraguai, através de projetos e palestras apresentados por ele. Conseguimos, com o condomínio, sanar o problema do desemprego. Alguns milhares de empregados continuaram trabalhando na crise por que havia trabalho na construção civil. Essa idéia do condomínio eu acho que foi maravilhosa, afirma o imigrante, que confessa ter verdadeira paixão por Londrina. Eu acho que isto aqui (a cidade) é um milagre.
Alho da Silva diz que, quando vai para o exterior, sobretudo em Portugal, como rotariano, é convidado a das palestras sobre o Brasil. Mas acaba falando de Londrina. Falo tanto da cidade que depois convido os portugueses a conhecer Londrina; senão eles me chamam de mentiroso.
SementesA empresa fundada por Ywao Miyamoto em 1974 é atualmente a segunda maior produtora de sementes do Paraná. Mais do que isso, a Sementes Mauá é a maior parceira no Estado de uma das maiores empresas do mundo em genética avançada, a Monsanto. A multinacional, segundo Miyamoto, selecionou em vários estados brasileiros os melhores produtores de sementes, em um projeto que envolve as indústrias de beneficiamento.
A Sementes Mauá, depois de criteriosa seleção por parte da multinacional, foi escolhida como parceira. A partir da próxima safra, vamos produzir 18 variedades de sementes de soja, das quais apenas uma é tradicional. Porque hoje a soja exige constante avanço na tecnologia: se a semente faz a cultura carregar depois, quebra a produção. Se nasce menos planta, também quebra. Então a busca é de equilíbrio, tem que acertar a quantidade por área, explica Miyamoto.
Além de soja, a empresa de Miyamoto produz sementes de trigo, milho, nabo forrageiro e aveia preta, estes últimos para adubação verde. Vamos produzir para a safra 125 mil sacas de sementes para a Monsanto e 125 mil sacas pela Embrapa/Condetec. O produto da Monsanto originado pela Sementes Mauá é para abastecer plantadores do Norte do Paraná e do Sul de São Paulo. As outras sementes são para o Brasil todo.
Segundo Ywao Miyamoto, com a Lei de Proteção a Cultivares, cessou a recomendação oficial de cultivares e variedades. Agora, cada empresa deve desenvolver sua pesquisa e divulgar os resultados, para que o agricultor possa fazer a escolha. Por isso, a empresa programou para março do ano que vem dois dias de campo, um em Mauá da Serra - município localizado a 80 km de Londrina - e outro no Sul de São Paulo, para mostrar as sementes produzidas em parceria com a multinacional.
Ao mesmo tempo, Miyamoto diz que o momento é de modernização: Quem não investir na tecnologia vai ficar para trás. Antes, no beneficiamento das sementes, só eram tirados as sujeiras e os grãos chochos. Não havia preocupação com o tamanho das sementes. Agora, temos que padronizar. Segundo Miyamoto, a preocupação da empresa, no momento, é portanto de adequação tecnológica, e não de expansão.
O empresário Ywao Miyamoto é presidente da Abrasem (Associação Brasileira de Produtores de Sementes). Ele assumiu o cargo em abril último e cumpre mandato de dois anos. Miyamoto teve também passagens pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, pelo Incra e pela Apasem (Associação Paranaense dos Produtores de Sementes em Mudas). Na entidade estadual ele também foi presidente por uma gestão com mandato de dois anos. (W.O.)


