Faz um bom tempo que cirurgia plástica deixou de ser sinônimo apenas de famosos e madames envelhecidas. Uma multidão de pessoas comuns, em busca de enxugar uma gordurinha ali e dar uma levantadinha aqui, fazem os números de cirurgias plásticas no Brasil crescerem mês a mês, o que insere o país em segundo lugar no mundo em intervenções estéticas, perdendo apenas para os Estados Unidos.
  Uma pesquisa realizada pelo Ibope, em 2009, mostra que a estética toma conta do país. Foram feitas 645.464 cirurgias plásticas no Brasil. Desse total 443.145 de caráter estético, das quais 158.711 de implantes de silicone em alguma região do corpo, feito por mulheres e homens.
  Do número final, o estudo identificou que 143 mil mulheres colocaram silicone em 2009, sendo 91% voltado a estética; os demais 9% correspondem a cirurgias reparadoras.
  ‘‘As pessoas procuram a perfeição, e isso é algo ancestral. Prolongar a vida da melhor forma possível passou a ser uma necessidade e não uma futilidade. Mas é preciso saber que toda plástica deve ser feita quando há indicação. Já dispensei paciente por não ter nada o que fazer. Existem mulheres que querem resolver problemas particulares com cirurgia plástica. Essa é a pior paciente’’, diz o cirurgião plástico Sergio Vianna.
  O progresso do procedimento está ligado a diversos fatores, entre eles os avanços da medicina, que possibilitam hoje técnicas menos agressivas, garantindo segurança à paciente, além da maior durabilidade das próteses, que com o passar dos anos chegaram em novos formatos.
  ‘‘Hoje, não há prazo de durabilidade e troca das próteses. A troca é feita quando há necessidade, quando, por exemplo, há contratura’’, explica Vianna.
  Outro ponto que explica a disposição dos brasileiros em entrar na faca é o fato de vivermos em um país tropical, repleto de lindas praias - um convite irrecusável às curvas em dia.
  Aos 50, 60 anos é a hora da reforma geral? Que nada. Um dado cada vez mais comum é que, no grupo dos que buscam corrigir as imperfeições, os jovens vêm ocupando lugar de destaque.
  Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os adolescentes estão agendando consultas cada dia mais cedo nas clínicas de cirurgia plástica. Entre setembro de 2007 e agosto de 2008, das 629 mil plásticas estéticas realizadas, mais de 100 mil foram feitas em jovens entre 14 e 18 anos.
  A necessidade e a cobrança – sempre muito mais severa com as meninas – de se enquadrar aos padrões estéticos muitas vezes impostos pela sociedade, as técnicas que transformaram a intervenção mais segura, confortável e rápida são alguns dos motivos que elevam esse índice.
  No caso do implante de silicone, Sergio Vianna explica que a idade certa é a partir dos 17 anos, mas isso também depende do desenvolvimento de cada mulher. ‘‘A maioria das minhas pacientes são jovens. As jovens são as que mais ficam felizes. A autoestima aumenta absurdamente’’, comenta.
  Foi nos anos 80, a passos de tartaruga, que começou a surgir por parte das mais corajosas a vontade de turbinar os seios. Na época, o máximo que se colocava era 150 mililitros (ml). Nos anos 90, as mulheres passaram a investir ainda mais na ‘‘comissão de frente’’, aumentado a quantidade para 210 ml. De 2000 para cá, as próteses passaram a ficar mais volumosas, com 250 ml até 300 ml nos dias atuais.
  ‘‘Temos medidores que hoje permitem que a paciente entre no centro cirúrgico já sabendo o tamanho que o seio vai ficar’’, conta Vianna, que completa: ‘‘Vários fatores são importantes na hora da escolha do cirurgião plástico, e um dos principais é a indentificação entre médico e paciente. O médico escolhido deve ser para ela o melhor do mundo. Ninguém vai vai fazer uma cirurgia com um profissional que julga meia boca’’.

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