Curitiba - Karaokê, origami e ikebana. Esses três exemplos de manifestações artísticas que vieram do outro lado do mundo já estão tão incorporadas à cultura do brasileiro que é difícil alguém, por aqui, não conhecê-las. Quem nunca soltou a voz acompanhando a letra da música em uma tela de computador? Quem nunca admirou as dobraduras feitas de papel e os harmoniosos arranjos florais? Nesses 120 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre Japão e Brasil não faltaram grandes contribuições do povo da "Terra do Sol Nascente". Os três exemplos citados acima são apenas algumas das mais populares.
Em 2015, Brasil e Japão têm muito o que festejar. Além dos 120 anos das relações diplomáticas, são 100 anos da imigração japonesa no Paraná, 45 anos do tratado de amizade entre Paraná e a província de Hyogo e 25 anos da realização do Imin Matsuri (festa da imigração japonesa) em Curitiba. O Brasil tem 1,6 milhão de descendentes de japoneses nascidos fora do Japão, os chamados nikkeis. A maioria está em São Paulo (cerca de 1 milhão). No Paraná são aproximadamente 150 mil.
A jornalista e pesquisadora Maria Helena Uyeda acredita que um dos maiores legados que o imigrante japonês deixou para os seus descendentes e para a sociedade brasileira foi um conjunto de bons exemplos: respeito pelo trabalho, educação, honestidade, confiança e ética. Maria Helena e o médico e ex-deputado estadual Rui Hara lembram que a primeira geração de imigrantes veio para cá disposta a trabalhar muito, ganhar dinheiro e voltar para o Japão. As dificuldades que a Segunda Guerra Mundial impôs ao Japão mudaram os planos dos imigrantes.
A partir do momento em que eles decidiram ficar no Brasil, apostaram de maneira firme na educação dos filhos e a ascensão dos descendentes na sociedade aconteceu de maneira muito rápida. De agricultores, eles começaram a ocupar profissões ligadas à Medicina, Engenharia, Odontologia, Direito, entre outras. "Os descendentes dos japoneses ajudaram a construir o Brasil em todas as áreas", ressalta a jornalista. A principal instituição de ensino superior do País, a Universidade de São Paulo (USP) estima que 10% de suas vagas são ocupadas por nikkeis.
E por falar na construção do Brasil, o cônsul do Japão em Curitiba Takahiro Iwato frisa que há várias décadas o Japão cooperou em grande escala com o Brasil por meio de projetos pequenos e gigantescos. Ele enumera cinco grandes projetos estratégicos: Alumínio da Amazônia (Pará), Desenvolvimento Agrícola dos Cerrados (Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins), Desenvolvimento de Recursos de Celulose da Cenibra (Minas Gerais), Siderúrgica Usiminas (Minas Gerais) e Estaleiro Ishibras (Rio de Janeiro).
Iwato destaca como exemplo de parceria recente a escolha pelo Brasil do padrão japonês de TV digital, que acabou gerando um sistema nipo-brasileiro, seguido hoje em outros países da América do Sul. "É um símbolo da nossa parceria", ressalta o cônsul.

PARANÁ
Rui Hara, presidente da Nikkei - Associação Cultural e Beneficente Nipo-Brasileira Curitiba, lembra cooperações importantes dos japoneses para o desenvolvimento do Paraná, como na criação do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), do Instituto Brasileiro de Produção e Qualidade (IBPQ) e de pesquisas na área de saneamento junto à Sanepar. Importante mencionar ainda a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), que financiou muitos projetos, garantiu a transferência de tecnologia e também levou bolsistas brasileiros para o Japão. Sem falar em grandes empresas japonesas que se instalaram no Estado, como a Denso, a Furukawa e a Sumimoto. (A.D.C.)

EDUCAÇÃO
O governo japonês é reconhecidamente generoso na concessão de bolsas de estudos para estrangeiros frequentarem as universidades e escolas profissionalizantes. Segundo o cônsul, essa generosidade é uma forma do povo japonês retribuir o carinho e o auxílio que recebeu da comunidade internacional na reconstrução do País após a Segunda Grande Guerra.
O brasileiro é grande apreciador da gastronomia e da arte do Japão. Apresentações de Taiko (tambores) e Odori (dança clássica) sempre lotam os teatros do País. Grande espaço por aqui também ganha a cultura pop japonesa, como cosplay (costume de se fantasiar de personagens de mangás, animes, game, desenhos animados ou artistas). (A.D.C.)

Imagem ilustrativa da imagem Brasil, um país sob influência japonesa
| Foto: Theo Marques
O Japão cooperou em grande escala com o Brasil por meio de projetos pequenos e gigantescos, diz o cônsul do Japão em Curitiba, Takahiro Iwato
Imagem ilustrativa da imagem Brasil, um país sob influência japonesa
A vibração dos tambores japoneses é um item cultural que contagia os brasileiros
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