Brasil decide destino com 106 milhões de votos
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
José Fernando da Silva 
Cerca de 106 milhões de brasileiros entram em ação amanhã para escolher o presidente da República, senadores, governadores e deputados federais e estaduais, no que promete ser uma das maiores eleições desde a redemocratização do País em 85. Num país de dimensões continentais todos os números relativos a esta eleição também são gigantescos. Pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teremos 14.417 candidatos disputando 1.613 cargos. O Estado que tem mais candidatos em campanha é São Paulo, com 1.951. O Rio Grande do Norte, com 187, é o que tem menos. Concorrem a uma vaga de deputado estadual ou distrital 10.662 candidatos. As 513 cadeiras da Câmara Federal têm 3.427 postulantes e para as 27 vagas em disputa no Senado são 167 concorrentes. Completam o quadro 149 candidatos aos governos estaduais e 12 à presidência da República.
Como fator novo e decisivo desta eleição, temos a possibilidade da reeleição para todos os cargos em disputa, inclusive para o Poder Executivo. De acordo com todos os institutos de pesquisa de opinião pública, dos 12 candidatos a presidente, apenas quatro apresentam alguma densidade eleitoral: o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB); Luiz Inácio Lula da Silva (PT); Ciro Gomes (PPS); e Enéas Carneiro (Prona). Pelos dados da pesquisa do Ibope divulgada na última quarta-feira, a eleição para presidente está polarizada entre FHC e Lula, com índices respectivos de 47% e 24%. Com estes números, FHC estaria eleito já em primeiro turno. A novidade é que Ciro Gomes apresentou sinal de crescimento na preferência do eleitorado. Nesta última pesquisa o candidato do PPS aparecia com 9% das intenções de voto.
Fernando Henrique já tem o comportamento de quem está reeleito e faz planos para o dia seguinte às eleições. Reafirma que não teremos nenhum pacote para combater a crise nas bolsas de valores e evasão de divisas do País. Ele centra seu discurso nas reformas propostas na Câmara, principalmente a da Previdência, que ajudariam o Brasil a combater o déficit público.
Frustrados pela baixa audiência dos programas eleitorais e pelas regras que delimitam o pleito, tanto Lula quanto Ciro ainda alimentam a esperança de conseguir forçar o segundo turno e provocar um amplo debate nacional sobre a crise. Enquanto FHC se nega, como candidato, a tecer o mínimo comentário sobre a crise, a oposição, representada por Ciro e Lula, denunciam os vícios do processo eleitoral e apresentam propostas para combater a crise representada pelo desemprego, fuga de capitais e queda nas atividades comerciais e industriais.
No plano estadual, o governador Jaime Lerner (PFL) e o senador Roberto Requião (PMDB), beneficiados pelo sofrível desempenho dos outros candidatos, polarizam a disputa pelo Palácio Iguaçu. Todos os institutos de pesquisa colocam Lerner com uma ampla vantagem sobre o concorrente do PMDB, levando a crer que o eleitor paranaense não precisará recorrer ao segundo turno para eleger o governador.
Lerner e Requião elegeram o emprego como base de seus programas, mas divergem na proposta de criação de novos postos de trabalho. Requião aposta na micro-empresa e na Agricultura. Jaime Lerner propõe a continuidade do processo de industrialização acelerado do estado sem esquecer também a agricultura e a pequena empresa, respeitada a vocação de cada região.


