Boticário inova lay-out das lojas e busca mercado externo
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Elisa Marilia 
de Curitiba
Com um novo lay-out, as lojas de perfumaria O Boticário enfrentam a concorrência de produtos estrangeiros e tentam uma maior aproximação com seus clientes. A partir da mudança, que já começou a ser estudada para as 1.430 lojas espalhadas em todo o País, O Boticário vai colocar seus clientes em contato direto com os produtos, eliminando a barreira dos balcões de atendimento.
Para cada produto disponível, na prateleira, haverá um tester - uma amostra para ser experimentada, sentida ou cheirada. Verificamos que muitos clientes ficam inibidos para pedir para experimentar algum produto. Com o novo lay-out, as amostras poderão ser manuseadas. Vamos colocar também cestinhas para os clientes fazerem suas escolhas mais facilmente, informa o vice-presidente do Boticário, Bernardo Fedalto.
Os laboratórios de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, produzem linhas completas de perfumaria para o público faminino, masculino e infantil. São perfumes, xampus, sabonetes, loções e maquiagem. Além de filtros solares e bronzeadores. Com esses produtos, a empresa tenta conquistar uma nova fatia do mercado. Os países do Mercosul receberão atenção especial.
A empresa teve faturamento bruto de R$ 140 milhões em 1996, com crescimento de 9% sobre o ano anterior. Gradativamente, o aumento das vendas vem possibilitando o aumento do número de funcionários da empresa. Em 1994, estavam registrados, 616 pessoas. Em 1995 eram 741 e no ano passado 853.
De acordo com Fedalto, de 1994 até o final do ano de 96 houve um incremento de 50% nas vendas dos produtos de perfumaria, carro-chefe do Boticário. O mercado interno consome praticamente toda a produção da fábrica de São José dos Pinhais. Apenas 3% são exportados para Portugal, onde há 55 lojas. A maior concentração é em Lisboa, com sete revendedores.
Estamos planejando abrir lojas na Argentina. Já temos uma no Peru e estamos experimentando o mercado da Bolívia, por enquanto, com o sistema de venda direta. Ainda há necessidade de ajustar alguns preços para tornar nossos produtos mais competitivos, uma vez que a qualidade está excelente, reconhece o vice-presidente.
No entanto, a empresa ainda enfrenta alguns problemas, como a carga tributária de ICMS (25%) e IPI (20%), além de outros impostos. Em janeiro, O Boticário pleiteou junto à Secretaria da Fazenda a redução das alíquotas de ICM e IPI para os mesmos índices praticados em São Paulo, ou seja, 18%. Por enquanto, não foi oferecida nenhuma solução para o problema.
Para alguns produtos como loções e cremes o IPI é de 40%. Claro que já ocorreram avanços, em 1991 era de 77%, mas esses impostos ainda encarecem muito os produtos. Os filtros solares e bronzeadores, por exemplo, são hoje considerados fundamentais para a saúde da pele, afirma.
Outro problema enfrentado pela empresa é a conscientização dos revendedores que estão tendo que se adaptar ao trabalho com uma moeda forte, depois do Plano Real. A empresa, com 20 anos no mercado, sempre precisou galopar atrás da inflação e registrava um ganho financeiro fictício, mas que viciou muitos comerciantes. Estamos tendo que trabalhar melhor nossos revendedores para que se ajustem ao lucro operacional mais do que ao lucro financeiro. Isso se consegue dando cada vez mais atenção aos negócios, analisa. Mas com o tempo isso se ajusta.
O acúmulo de encargos sociais e de benefícios oferecidos aos empregados (vale-refeição, vale-transporte, plano de saúde) ainda pesa muito no orçamento da empresa, que começa a conquistar compradores entre as classes sociais mais baixas, C e D. Com uma carga tributária e encargos trabalhistas menores, com certeza todos usariam mais filtros solares, por exemplo, afirma Fedalto.
Para que tudo isso se concretize, o vice-presidente da empresa considera essencial o governo incrementar as privatizações. O governo é um péssimo administrador. Deveria se concentrar no papel de fiscalizador e apenas se responsabilizar pelos assuntos essenciais como saúde, a educação, transporte e moradia.
Fedalto considera a iniciativa privada em condições de baixar custos e pessoal, ao mesmo tempo que aumentaria a produção. O governo demora muito para tomar decisões, reclama.
As cidades de pequeno porte receberão atenção especial de O Boticário ainda este ano. Assim que tiver totalmente aprovado o novo lay-out das lojas, a empresa planeja aumentar o número de revendedores no interior de todo o País.RAIO X
Setor: Perfumaria
Faturamento
- em 96: R$ 140 milhões
- Previsão para 97: Não fornecida.
Lucro líquido: Não fornecido.
Funcionários: 853


