Bosque do Papa convive com vizinhos indesejados
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Beleza, tradição, história. Um cenário de magia e cristianismo, mesclado com cultura e arte. O Bosque João Paulo II, no Centro Cívico, é cercado de magia e misticismo. Inaugurado em dezembro de 1980, ele eternizou a passagem do Papa por Curitiba. Nas trilhas montadas dentro do bosque, foram construídas sete casas típicas poloneses em forma de aldeia - relembrando o início da colonização portuguesa na capital paranaense por volta de 1878. As casas são feitas de troncos de pinheiro encaixados. Dentro delas, a história e a cultura dos imigrantes...
O local é visitado constantemente por turistas e famílias curitibanas. O Bosque do Papa é protegido por guardas municipais que garantem a tranquilidade dos visitantes. Mas o local se mescla com uma área de lazer estadual que fica ao lado com um pequeno portão fazendo divisa. Ali, os jovens são a maioria. Alguns, sozinhos, tocando violão, tomando bebidas alcóolicas. Outros, em grupo. A Folha flagrou um adolescente embaixo de uma árvore enrolando maconha. O contraste do local de lazer com o bosque é imenso. Não existe policiamento. Nem guarda municipal.
A coordenadora do Bosque do Papa, Danuta Lisicke de Abreu, disse que o problema existe há anos. ''Cerca de 500 a 800 pessoas por dia passam nesse parque. Principalmente nos finais de semana. São maconheiros e vândalos. As árvores se transforam em banheiro público para eles. A população fica amedrontada. As famílias sentem insegurança. Pensam que eles podem invadir o bosque'', relatou. Preocupada, Danuta pede providências para as autoridades. ''A gente liga para a Polícia e as viaturas passam por aqui. Os grupos correm e se desarticulam. Meia hora depois, voltam. A situação é caótica há três anos''.
São jovens com idades entre 13 e 15 anos que frequentam o parque. Alguns querem apenas um divertimento. Outros, usam o espaço para o uso de drogas. ''Um dia desses um dos nossos guardas foi baleado. Se ele não estivesse de colete, estaria morto. Os meninos entraram no bosque e o guarda deu voz de retirada porque estava tarde e nós iríamos fechar o bosque. Eles avançaram sobre o guarda. Pisaram nele. Machucaram o rosto dele. E deram um tiro. Depois fugiram. Não foram presos'', disse ela.


