'Borrachudo nasce em córregos de água limpa'
A proliferação de borrachudos, ou simulídeos, em Lamenha Pequena permanece devido ao crescimento urbano e consequentemente das atividades humanas, como criação de animais e agricultura, que destinam matéria orgânica para os córregos das bacias dos rios Passaúna e Barigui, segundo o Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde. Por isso, o argumento dos moradores de que os borrachudos são herança do antigo lixão, porque o mesmo teria contaminado o solo e os córregos, não é aceito pelo município.
O fato de ter funcionado no bairro um lixão, entre 1974 e 1988, é pura ''coincidência''. O borrachudo não se reproduz em água poluída, mas sim em água limpa e corrente. A matéria orgânica deve apenas enriquecer a água para a larva se alimentar.
''A proliferação está ligada ao aumento da população, que avança sobre o habitat natural do borrachudo e também à destinação incorreta do lixo. Quando chove, a água leva as fezes de animais e adubo, por exemplo, para os córregos'', explica o técnico Valdi de Paula Gonçalves.
''Apenas as fêmeas picam para sugar o sangue que vai amadurecer os ovos dentro dela. O simulídeo só deposita os ovos em água com correnteza e perto de cachoeiras porque a força da água ajuda a larva a filtrar a matéria orgânica para se alimentar'', detalha o técnico, completando que garrafas PET, sacolas plásticas, madeira e capim ajudam a larva a se fixar na água.
''O chorume do antigo lixão foi isolado em lagoas de contenção. Pode transbordar um pouco, em dias de muita chuva. Mas não é essa a causa. Caso contrário não existiriam borrachudos na Serra do Mar, que é uma área de preservação. Quanto mais limpo o rio, melhor para o inseto se desenvolver'', reforça.
De acordo com o técnico, a cada 15 dias é aplicado nos córregos um larvicida biológico. No entanto, a substância só resolve em 30% o problema. ''Não é possível erradicar o inseto, apenas controlar a população. O programa é eficaz, inclusive, tivemos que trabalhar em parte do território de Almirante Tamandaré e Campo Magro para que tivéssemos sucesso na parte do bairro que fica em Curitiba'', conta Valdi, lembrando que o borrachudo não transmite doença e que o inseto se reproduz mais no verão.
O técnico é pioneiro no programa de controle de simulídeos na região, que iniciou há 18 anos, e informa quais ações ajudam a controlar a população de borrachudos.
Primeiro, os moradores devem dar a destinação correta ao lixo e evitar a pesca predatória, porque os peixes são predadores das larvas. Depois, técnicos podem fazer um manejo nos córregos desviando o ciclo natural da correnteza para outra valeta. Com a área praticamente seca é possível matar maior quantidade de larvas com a incidência do sol e larvicida. (F.G.)





