Os comes e bebes não podem faltar nos festejos de final de ano. Alimentam, reúnem, alegram e tornam o momento mais especial, pela composição de pratos, aromas e sabores dispostos na mesa. Dentre as bebidas, os espumantes são parte essencial do ritual da passagem do ano. É difícil imaginar o Réveillon sem a expectativa do estouro da rolha, a espuma derramando pela garrafa, seguidos de gritos e palmas. Promove a integração, abraços, os votos de felicidades entre amigos, o brinde. E principalmente a degustação da bebida refrescante, cheia de borbulhas.
Embora seja uma bebida nova ao paladar do brasileiro, produtores apostam que aumentará o consumo de espumantes e não apenas no final do ano. O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) estima que 5 milhões de garrafas serão comercializadas, nesse ano. ''É uma questão de costume. Observamos que os eventos estão trocando a cerveja e o vinho por espumantes. É uma bebida leve, com acidez elevada, mais jovem e cai bem no verão'', disse Maiquel Vignatti, técnico em enologia, sommelier e responsável pelo marketing da Cooperativa Vinícola Garibaldi, em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, a quarta maior produtora de espumantes do Brasil.
Só em 2007, a vinícola elaborou 600 mil litros de espumantes finos. A bebida, comumente chamada de champanhe por aqui, foi assim adotada erroneamente, segundo Vignatti. ''É um termo utilizado pelos espumantes elaborados na região da Champagne, na França, devido a uma denominação de origem criada por esta região, onde obtiveram o direito de utilização do nome. Em qualquer outro lugar, o espumante não pode ser chamado de champanhe'', esclarece ele, informando que as uvas utilizadas na produção de espumantes passam por seleção de cachos e grãos específica e todo processo é executado no próprio vinhedo.
O enólogo diz que a colheita em seu ponto ideal de maturação para elaborar um espumante é o que determina o seu frescor. Em tanques de inox inicia-se a fermentação alcoólica a baixa temperatura e o suco é transformado em vinho. No término da segunda fermentação, em tanques de inox resistentes a pressão, é que o espumante é classificado como brut, demi-sec ou doce. Após o engarrafamento, a bebida é armazenada em caves por até dois meses antes de ser liberada para consumo, permitindo fortalecer a sua estrutura e a formação de perlage - bolhinhas de gás carbônico que se formam quando o espumante é servido, quanto mais abundante as borbulhas, melhor é o espumante.
''Digo sem receios que o Brasil produz um dos melhores espumantes do mundo e melhor, com suas próprias características'', comemora Vignatti. A Vinícola Garibaldi, inclusive, recebeu a medalha de ouro no Concurso de Efervescentes, ocorrido na França, mês passado, pela elaboração do seu espumante Moscatel. ''O espumante é uma bebida que tem um custo de elaboração mais elevado do que uma sidra ou filtrado e é um produto de qualidade superior. O preço do espumante nacional é um reflexo da carga tributária imposta a ele, que pode chegar a 45%. Mesmo assim é mais barato do que o importado'', informa Vignatti.
Segundo ele, é possível comprar um bom espumante brasileiro por R$ 10 ou R$ 15 e que toda linha de espumantes finos da Garibaldi é vendida nas maiores redes de supermercado de Curitiba. Para aproveitar ao máximo o sabor e o prazer de cada espumante, a reportagem traz um quadro demonstrativo (veja nesta página) com as combinações de pratos para cada tipo de espumante ou mesmo a temperatura ideal para consumo das bebidas. Última dica, evite gelar as taças para servir o espumante porque pode prejudicar a formação da perlage.
* A repórter viajou a convite da Due Company, em Porto Alegre

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