O ponto é o mesmo há 20 anos: a esquina das ruas XV de Novembro e Monsenhor Celso. O grito inconfundível de nossa personagem já faz parte da história de Curitiba: ''borboleta 13''. ''Tem a cobra 33 também! São os dois que mais saem'', conta Sheila de Paula, que vende bilhetes de loteria federal e estadual, explicando a origem do nome. Tantos anos de trabalho já renderam sorte para muita gente. ''Já vendi muitos premiados. Vira e mexe alguém volta para agradecer'', conta, com o sorriso largo estampado no rosto.
A necessidade foi o que levou Sheila para as ruas. O marido foi embora de casa e ela precisou encontrar um meio de sustentar os quatro filhos. Na ocasião, um amigo vendia bilhetes e a chamou para trabalhar na mesma função. ''Não tinha outra escolha, tanto que trazia meu filho mais novo junto. Ele ficava no carrinho, aí eu olhava ele um pouco e vendia os bilhetes'', relembra.
Tanta popularidade já fez Sheila aspirar a carreira política. Em 2004, foi pré-candidata a vereador, mas esbarrou na prova da Justiça Eleitoral, que avaliou se os candidatos sabiam ler e escrever. ''Fiquei triste, mas recebi muito apoio do povo, que passava aqui pra dizer que não concordava em terem me impedido de ser candidata'', lamenta.
Mas para o ano que vem, Sheila promete tentar de novo. ''Estou estudando, quase completando o primeiro grau'', anima-se. E se eleita, qual será a plataforma de atuação da Borboleta 13? ''Lutar pelas pessoas necessitadas'', promete. (M.M.)

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