Bom Retiro para as compras
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Quando Glória Leitão Simões comprou sua casa no Bom Retiro, em 1974, o bairro era calmo, não tinha supermercados, nem farmácias. Hoje além desses serviços, o local conta com restaurantes, colégios, faculdade e rua temática de comércio, a Rua Teffé, que os lojistas almejam transformar em um shopping ao ar livre. Mas o primeiro ponto de referência, que mais tarde deu nome ao bairro, foi um sanatório, o Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, inaugurado em 1946.
Criada entre os bairros São Francisco e Bom Retiro, Glória diz que não sabe morar em outro lugar. ''Para mim Curitiba é aqui. Antigamente era melhor ainda, crianças brincavam na ruas, eram ruas sossegadas, pacatas. Agora já virou outra coisa'', observa a moradora, que foi uma das responsáveis pela mudança de perfil do local. ''Tenho um vizinho que reclama: 'a senhora estragou nosso sossego'. Eu digo: 'estraguei de um jeito e valorizei de outro''', conta a lojista que deu início ao que se tornaria a principal atração do bairro, o comércio temático.
Glória começou a vender sapatos de ponta de estoque na sala de casa. O negócio fez sucesso, atraiu outros comerciantes e a Teffé acabou virando a ''rua dos calçados''. ''Ainda tem ruas sossegadas no bairro. Mas aqui não tem mais como regredir'', avalia a comerciante.
Para a moradora Simone Lemanczyk, ali ''de ruim não tem nada''. ''Gosto bastante dessa região. É perto do Centro, em cinco minutos você está lá. Também são cinco minutos até o Parque Barigui. É bem localizado, está tudo pertinho. É um bairro residencial com tudo à mão'', comemora a moradora. Simone também ressalta a tranquilidade. ''Minha mãe está na mesma casa há 40 anos e nunca foi assaltada'', afirma.
A tranquilidade também foi um dos motivos que atraiu Ana Cristina Cecy. Há pouco mais de um ano, junto com a irmã, Ana Cristina abriu uma loja de confeccções a uma quadra da Rua Teffé. ''Tem o movimento da rua dos calçados, o aluguel é razoável e eu prefiro loja de rua em vez de shopping. Você conhece os vizinhos, conversa, é mais charmoso'', explica a lojista. ''Só que daí chove e não vem ninguém'', completa em tom de brincadeira. Para Ana Cristina, a concentração de lojas é um atrativo. ''É mais fácil do que se estivesse completamente isolado. O pessoal desce, começa a conhecer as outras lojas. Eles vêm de longe, vem bastante gente de fora'', conta.
Moradora de Cascavel, a médica Luci Muffato Kruger é freguesa das lojas do Bom Retiro desde a época em que cursava a faculdade em Curitiba, entre o final dos anos 80 e início dos 90. Hoje sempre que volta à cidade, Luci faz uma visita à Rua Teffé. ''Sempre comprei aqui, desde quando era famosa pela ponta de estoque'', afirma. Luci conta que depois de ter sido assaltada à mão armada no local, ficou um tempo sem voltar. Já hoje acha que a configuração das lojas melhorou. ''Agora tem estacionamento, está mais tranquilo. Concentrou mais as lojas, melhorou bastante'', avalia.
Para a presidente da Associação de Lojistas da Rua Teffé, Maria de Fátima Borges, a tranquilidade do bairro ajudou a expandir o comércio local, que já não se restringe mais à ponta de estoque. ''O gostoso do Bom Retiro é que é tranquilo, confortável e seguro. A pessoa pode vir e pesquisar com tranquilidade, porque é um bairro residencial'', defende Fátima.
A Associação criada há quatro anos conta hoje com 17 lojistas, dos cerca de 30 presentes na região, e trabalha para ampliar o comércio local para consolidá-lo como um shopping ao ar livre. ''Temos muitos projetos e associados temos mais voz ativa perante o município'', justifica a presidente. De acordo com a coordenadora de marketing da Associação, Michelle Cristina Kohler, uma parceria com o Curitiba Convention & Visitors Bureau trabalha para colocar o bairro no roteiro turístico da cidade, mas sem incomodar os moradores. ''A gente procura respeitar o espaço deles. Temos a preocupação de que os efeitos ruins sejam minimizados'', garante Michelle.


