Boca de urna é discreta em Londrina
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de outubro de 1998
Guto Rocha 
As ruas de Londrina amanheceram cobertas de santinhos de vários candidatos. No início da manhã, este era o único sinal indicando que o domingo quente e ensolarado era um dia de eleição. O movimento aumentava nas proximidades dos locais de votação. Mas, diferente de eleições anteriores, o trabalho de boca de urna foi discreto, sem concentração de cabos eleitorais em um mesmo local.
Na maioria das zonas eleitorais houve atraso de 30 a 60 minutos para início das votações. Segundo informações da juíza eleitoral Lídia Maejima, o papel das bobinas de seis urnas amanheceu úmido. As urnas tiveram que ser trocadas. O problema pode ser considerado corriqueiro, comentou a juíza.
A longa espera nas filas em algumas zonas eleitorais foi a maior reclamação dos eleitores, que saíram ontem de manhã para votar. Alguns locais de votação visitados pela reportagem da Folha apresentavam filas grandes e, nos colégios menores, os eleitores encontraram dificuldade para saber em qual fila deveriam aguardar. É uma confusão, já estou aqui há quase 40 minutos, e já vi muita gente que chegou depois de mim, votando na minha frente, reclamou um eleitor da 189ª zona eleitoral, que não quis se identificar. Ele enfrentou fila na Escola Municipal Odilon Gonçalves, Jardim do Sol (zona oeste).
Segundo a presidente de mesa daquela zona eleitoral, Adriana Marques, muitos eleitores sentiram dificuldades na hora de votar por causa da quantidade de números que tinham de teclar. Muitos idosos e pessoas semi-analfabetas acabaram anulando o voto por não conseguirem ler as indicações que aparecem na tela da urna, afirmou Adriana. Estes problemas, segundo ela, acabaram provocando lentidão no processo de votação. Cada eleitor levou em média 4 minutos para terminar o voto.
No mesmo colégio, o funcionário da frente de trabalho da prefeitura, Paulo Benedito da Silva, não conseguiu votar por ser analfabeto e surdo-mudo. O mesários da 11ª seção disseram que não podiam acompanhar o eleitor e não sabiam como agir. Silva, que estava acompanhado por um cunhado, foi embora para casa sem votar e sem conseguir o comprovante de que compareceu para votar.
Nas seções instaladas na região central de Londrina, as filas eram menores e o processo de votação mais ágil. Foi fácil votar e não esperei muito tempo na fila, afirmou a dona-de-casa, Chams Antônio Melo, que votou na 41ª zona eleitoral, no Banco do Brasil.
A eleitora Amélia Neia Martini, 70 anos, reclamou da dificuldade de acesso ao Colégio Mãe de Deus. Ela chegou para votar em uma cadeira de rodas, que teve de ser carregada para ultrapassar as escadas do colégio. Eles (Justiça Eleitoral) deveriam colocar a gente para votar em um local onde o acesso é facilitado com uma rampa, comentou. Mesmo não sendo obrigada a votar por causa da idade, dona Amélia disse que não podia perder a portunidade de ajudar o País a manter a estabilidade da moeda. Foi fácil votar, apareceu a cara de todo mundo na tela, não teve erro, afirmou.


