Boas terras, a preços baixos
Boas terras, a preços baixos
O negócio da Cia. de Terras estava sob orientação de lei estadual, que estabelecia que os preços (baixos) das terras devolutas e inabitadas do governo deveriam ter o fito de colonização, segundo expôs Souza Melo, da Cia. de Terras, numa palestra. Parece ridículo hoje, mas era o preço legal da época para quem quisesse comprar para povoar. E a verdade é que essas fertilíssimas terras, apesar dos preços baixos, tinham poucos compradores e muitas delas ficaram em mãos de concessionários inermes, registrou Souza Melo.
A 8 mil réis o hectare (= 10 mil m2) ou 19,30 mil réis o alqueire paulista (=24.200 m2), o Estado habilmente encorajava a exploração e o desenvolvimento, carreando em pouco tempo, através do imposto de transmissão, verdadeiras fortunas, segundo Souza Melo. As grandes concessões a particulares durante a década de 20 eram uma das fontes de renda mais promissoras, constatou Nadir Cancian (Cafeicultura Paranaense - 1900/1970). Loteadas as terras, os impostos de transferência rendiam tanto quanto a produção agrícola.
No início, a Cia. de Terras Norte do Paraná revendia o alqueire por 500 mil réis, mediante 30% de entrada e o restante em quatro prestações anuais, a primeira correspondente a 10% do valor e as restantes, de 20%, sempre ao término do ano. Todas as despesas de transferência por conta do comprador.
Em 1959, trinta anos depois, o preço da Cia. Melhoramentos, a sucessora, é 25 mil cruzeiros. Computadas todas as despesas, o governo estadual recebe apenas de imposto de transmissão 1.495 cruzeiros por alqueire - 74 vezes o preço primitivo da Cia. de Terras, calculou Souza Melo.
E incidiam outros impostos, segundo o Apelo dos Lavradores de Café do Paraná ao Chefe da Nação, publicado na Folha da Manhã de 25 de junho de 1939. Então, a cafeicultura do Norte Velho estava consolidada e, no Norte Novo, atingia a 11,3 milhões de pés, dos quais cerca de 3 milhões produzindo. Os cafeicultores denunciavam ao presidente da República, Getúlio Vargas, a mentalidade primitiva, do interventor Manoel Ribas, de cobrar impostos por todas as formas (...) literalmente matando a produção e o comércio. Os colonos, ao entrarem no Norte do Paraná, esbarravam logo em uma grossa corrente que atravessa as estradas interestaduais, atrás da qual se erguem verdadeiras alfândegas, exigindo pesados tributos sobre os seus míseros trastes, cabras, porcos etc.
O interventor ainda estaria incorporando ao orçamento estadual 15 mil réis por saca de café, devolução do Departamento Nacional do Café que deveria ser entregue aos produtores.
Mapa da Agência Municipal de Estatística, chefiada por Aristeu de Oliveira, dá números surpreendentes em 1940: a coletoria estadual em Londrina arrecada 5.228,3 contos de réis; a coletoria federal, 1.098,5 contos de réis; e a receita do município chega a 1.249,2 contos de réis. Os depósitos nas agências do Banco do Brasil, Banco América do Sul, Caixa Econômica Federal e Casa Bancária Imigração Ltda. somam 46,6 mil contos de réis. O Banco Noroeste não informou seus depósitos. Em 1940, o município de Londrina abrangia ao sul área desmembrada de Tibagi e estendia-se ao Noroeste, num total de 923.117 alqueires, portanto além dos 515 mil da Cia. de Terras. (W.S.)





