Boas maneiras se aprende fora de casa
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Mariela de Castro Santos 
Marcelo AlmeidaAula de postura e boas maneiras na Socipar, com a instrutora Sirley Thatyana do Rocio OsvaldoÉ antiquado o homem abrir a porta do carro para a mulher? Deve-se levar flores para a anfitriã de um jantar? É de bom tom usar preto em um casamento? Estas e outras dúvidas, que povoam a mente das pessoas, mesmo com toda a facilidade de acesso à informação do mundo moderno, parece que estão longe de se dissipar. Por causa disso, embora possa até soar fora de moda, os cursos de etiqueta e boas maneiras ainda encontram espaço na sociedade.
Prova disso é a Socipar, maior curso de aprimoramento social da cidade, que está completando 25 anos. De uma pequena casa, ocupa hoje três imóveis, com área total de 2 mil metros quadrados. Ali, sob a batuta de Aliete Volpi Prosdócimo, dezenas de cursos são conduzidos em prol não mais apenas das mocinhas de sociedade que se preocupavam com as festas, mas para um público vasto que inclui homens em ascensão profissional, meninas interessadas na carreira de modelo e mulheres que acabam de entrar no mercado de trabalho.
Aliete Prosdócimo, proprietária da Socipar, que há 25 anos zela pelas boas maneiras dos curitibanos
Hoje, 99% de nossas alunas não são só donas de casa, diz Aliete Prosdócimo. As pessoas estão, por suas posições profissionais e poder aquisitivo, não só aptas mas também obrigadas a frequentar círculos sociais mais refinados, para os quais elas nem sempre estão preparadas, acredita.
Nessas horas, valem ainda máximas cunhadas há décadas. O homem ceder a passagem a uma mulher ou pessoa idosa, não dizer saúde a alguém que espirra a seu lado, não soprar a sopa para esfriá-la nem repetir o prato, conservar os cotovelos unidos ao comer e jamais usar palitos de dentes são regras universais e eternas de boas maneiras.
Ao longo dos últimos 25 anos, os cursos da Socipar foram reciclados para acompanhar as mudanças comportamentais da sociedade, embora tenham sido mantidas as regras fundamentais, imutáveis. O que mais sofreu alterações foram conceitos de moda, maquiagem e rigidez em certos comportamentos.
Fachada da Socipar que tem 2 mil metros quadrados de área útil
A Socipar nasceu como uma franquia da carioca Socila, e no princípio não foi bem aceita. As coisas mudaram de figura quando, pouco tempo depois, as mulheres começaram a entrar cada vez mais no mercado de trabalho. Despreparadas para o trato profissional, recorriam à Socipar para o bê-a-bá. De lá para cá, a empresa ampliou seus serviços, passando a oferecer cursos de modelo e manequim, aulas de ginástica e um completo centro de estética e cabelereiros.


