Boas ideias e associativismo
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Victor Lopes <br>Reportagem Local 
Não importa o tamanho da lavoura ou a cultura plantada. O agronegócio londrinense mostrou em 2015 que boas ideias podem ser aplicadas em diferentes cenários, independentemente do potencial financeiro do produtor. Quem atua no setor mostrou que o bom uso de tecnologias, uma gestão eficiente nas grandes propriedades e também a união dos agricultores familiares foram alicerces que fizeram o setor se desenvolver forte este ano. Os bons números de faturamento e alguns cases de sucesso mostram que Londrina continua no caminho certo.
O potencial do agronegócio do município é significativo. O Valor Bruto de Produção (VPB) atingiu a marca de R$ 646,8 milhões no ano passado, alta de 5,6% frente ao período anterior. Os grãos seguindo a tendência estadual continuam sendo o carro-chefe, com soja representando 17% do VBP, seguida do milho (14%), frango (14%) e o tomate (10%).
Aliás, a oleaginosa uniu os sojicultores num dos projetos mais interessantes da cidade neste segmento em 2015. O extensionista do Instituto Emater, Paulo Mrtvi, criou um grupo de WhatsApp com 70 sojicultores, pesquisadores e formadores de opinião em Londrina com o objetivo de dinamizar o processo de comunicação, principalmente no que diz respeito à situação da lavoura e possíveis ameaças, exemplo da ferrugem asiática. "Com as informações, os produtores do grupo diminuíram a aplicação de fungicidas em média de 66% na safra 2015, reduziram os custos e otimizaram as atividades. Há um caso de produtor que economizou R$ 30 mil. Aliás, meu projeto está entre os trabalhos selecionados pela Comissão Nacional do Caderno de Boas Práticas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e foi apresentado em Brasília", explica Mrtvi.
Já o gerente regional do Emater, Sérgio Carneiro, destaca a movimentação dos pequenos produtores londrinenses na criação de associações e cooperativas, principalmente os que trabalham com olericultura. Eles estão bem eficientes na comercialização dos produtos pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). "A Cooperativa de Agricultura Familiar Solidária (Coafas), que está próxima de 300 produtores, é um exemplo positivo no município. A ação conjunta deles está reduzindo a ação de intermediários e dando maior visibilidade à produção, inclusive agora com a Criação do Mercado do Campo. Sem dúvida, as olerícolas em pouco tempo vão aparecer com ainda mais força no VBP da cidade. Outras associações fortes estão ligadas à produção de aves e peixes."
Por fim, Carneiro observa que os produtores londrinenses de grande porte hoje têm acesso fácil à adoção de tecnologias de ponta. "Precisamos evoluir em todo o Estado na questão da sustentabilidade, com sistemas de preservação de solo e água, já que de certa forma regredimos neste aspecto. Para isso, é necessário a conscientização de toda a cadeia", complementa.
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- Estrategista das lavouras


